Todos os oito jovens envolvidos na denúncia já foram identificados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro
Folhapress | 08:57 – 16/05/2026

(FOLHAPRESS) – Logo após sair do trabalho em uma loja de conveniência, Elizete da Silva Santos, 36, tentou usar a faixa de pedestres para atravessar a avenida Luiz Dumont Villares, na zona norte de São Paulo. Não chegou ao outro lado da via. Morreu após ser atropelada por um motorista de 19 anos, que não tinha CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Mortes de pedestres, como a da mulher no último dia 11 de abril, ajudaram a puxar as estatísticas da violência no trânsito da cidade de São Paulo.
Dados do Infosiga (sistema estadual que mede a letalidade no trânsito paulista), divulgados na tarde desta segunda-feira (18), mostram que o número de óbitos no primeiro quadrimestre deste ano é 5,6% maior que no mesmo período de 2025 -passou de 284 para 300 casos.
No mesmo período, a frota de veículos registrada na cidade cresceu apenas 1%, segundo o Ministério dos Transportes.
Motociclistas e pedestres foram as maiores vítimas no quadrimestre passado, com 135 (5,5% de alta) e 130 (12,1%) casos, respectivamente.
Somente em abril, 76 pessoas morreram nas ruas e avenidas do município, mesmo número de março e superior a janeiro e fevereiro.
Juntos, pessoas atropeladas ou que estavam em motos representaram quase 90% dos óbitos do mês passado.
Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que por meio da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), realiza ações contínuas para ampliar a segurança do sistema viário e reduzir acidentes.
Entre as principais iniciativas, diz a prefeitura, destaca-se a faixa azul (sinalização exclusiva para motos), com 233,3 km em 46 vias, beneficiando cerca de 500 mil motociclistas por dia
A meta é alcançar 400 km até 2028, mas o município ainda aguarda liberação da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) para retomar a sinalização, que está parada –o Ministério dos Transportes está analisando dados dos projeto-piloto da faixa azul, implantado inicialmente na cidade de São Paulo, mas que já é testado em outros municípios.
Em nota, o governo federal afirmou que após o prazo de realização do estudo experimental, a Senatran formalizou a todas as cidades em que essa sinalização encontrava-se autorizada para que encaminhassem seus relatórios finais até o último dia 30.
A cidade de São Paulo apresentou a documentação no prazo e o relatório está sob análise dos técnicos da pasta, sem prazo para conclusão.
“Os municípios foram autorizados a manter a sinalização ativa até que houvesse decisão final da Senatran para a continuidade da condição experimental ou para a regulamentação definitiva da matéria”, diz a Senatran.
Sobre atropelamento, a administração municipal afirma há intervenções em pontos com maiores índices de acidentes.
Também cita investimentos em áreas calmas, onde o limite de velocidade é de 30 km/h e rotas escolares seguras. Além de ampliar o tempo de travessia, de faixas de pedestres e das travessias elevadas, bem como a implantação de minirrotatórias e frentes seguras para motos nos semáforos, como ações que aumentam a visibilidade e a segurança viária.
“A CET também monitora diariamente os acidentes e reforça a fiscalização com equipes em campo, presença de agentes em cruzamentos, uso de equipamentos eletrônicos e painéis informativos, além da realização de campanhas educativas”, diz em nota.
Uma dessas campanhas é a do Maio Amarelo, em que a CET preparou uma programação com atividades educativas direcionadas a motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas.
Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, diz que os números da cidade de São Paulo ainda precisam ser analisados com cautela antes de se apontar uma tendência consolidada em 2026.
“No entanto, o cenário é preocupante, porque os principais grupos atingidos seguem sendo justamente os mais vulneráveis no trânsito paulistano”, afirma, citando motociclistas e pedestres.
“E isso dialoga diretamente com os principais fatores de risco associados às mortes graves no trânsito urbano, especialmente excesso de velocidade e combinação entre álcool e direção.”
Lemos afirma que a segunda metade da “Década de Ação pela Segurança no Trânsito”, que prevê redução de 50% no número de mortes no trânsito, deveria representar aceleração das políticas públicas, principalmente após a aprovação do Pnatrans (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito) -instituído em 2018-, que estabeleceu compromissos para todas as esferas administrativas.
“O que se esperava da cidade de São Paulo era um tratamento mais abrangente e prioritário da segurança viária, integrando fiscalização, gestão de velocidades, comunicação pública, desenho viário seguro e proteção dos usuários vulneráveis”, afirma ele. “A cidade chegou a construir um plano de segurança viária anos atrás, mas muitas dessas diretrizes acabaram perdendo centralidade ao longo do tempo.”
ESTADO REGISTRA QUEDA NOS NÚMEROS
Os novos dados do Infosiga mostram que no geral do estado, no acumulado do ano houve queda de 5,5% nas mortes, na comparação com os quatro primeiros meses de 2025.
Entretanto, com 460 casos em 2026, houve alta de 2,2% no número de óbitos por atropelamento, também na comparação entre períodos.
No mês passado, a violência no trânsito matou 486 pessoas no estado de São Paulo (0,4% a mais que em abril de 2025).
Em nota, o Detran (Departamento de Trânsito) paulista afirma que o governo de São Paulo elaborou seu Plano de Segurança Viária, publicado recentemente, que tem como principal objetivo reduzir pela metade o número de mortes no trânsito até 2030.
“O documento, inédito no país, estabelece diretrizes integradas de educação, fiscalização, engenharia e gestão de dados, com foco nos usuários mais vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas”, afirma.
Ainda conforme o órgão de trânsito, a programação planejada para o Maio Amarelo, as ações desta semana têm como foco os pedestres, com atividades em todo estado pautadas na campanha “Sinal de Respeito”, lançada em 2024 para conscientizar pedestres e condutores sobre a importância da travessia segura e do respeito à faixa de pedestres.
“De janeiro a abril deste ano, o Detran-SP aumentou em 106% as ações educativas e ampliou em cerca de 10% as operações de fiscalização voltadas ao combate à alcoolemia, na comparação com o mesmo período de 2025”, afirma.

Todos os oito jovens envolvidos na denúncia já foram identificados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro
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