A elite gay do governo Trump em Washington – 29/08/2025 – Mundo

A elite gay do governo Trump em Washington - 29/08/2025


Era a última quarta-feira de julho, e muitos dos principais nomes de Washington estavam no Ned’s, um clube privado na esquina da Casa Branca.

O secretário da Marinha, John Phelan, esperava um elevador no saguão. Howard Lutnick, o secretário do Comércio, circulava pelo bar Library no andar de cima. Scott Bessent, o secretário do Tesouro, também passeava por ali.

Sentado em uma poltrona de couro marrom no centro desse burburinho social estava um alto funcionário do Departamento de Energia chamado Charles Moran. Seu título de aparência complexa é administrador associado para assuntos externos da Administração Nacional de Segurança Nuclear. Isso significa que ele trabalha na parte do Departamento de Energia que desenvolve, testa e mantém segura a reserva de armas nucleares dos Estados Unidos.

Mas não era por isso que os funcionários do governo se aproximavam de sua poltrona para conversar. Moran, 44, é o líder de um novo grupo de poder na capital: os homens gays do governo Trump.

Eles são os A-Gays. São (na maioria) assumidos, orgulhosos de trabalhar para o presidente Donald Trump e ocupam cargos importantes dentro (ou junto) do governo. Eles exercem influência em toda a cidade, do Pentágono ao Departamento de Estado, da Casa Branca ao Kennedy Center.

“Somos como a bandeira Visa”, disse Moran. “Estamos em todo lugar que você quer estar.”

O homem gay mais poderoso do governo Trump é Bessent. Há alguns outros no Departamento do Tesouro. Outros A-Gays incluem Tony Fabrizio, o assessor de pesquisas de opinião de longa data do presidente; Trent Morse, um assistente adjunto que está saindo; Richard Grenell, que foi colocado à frente do Kennedy Center; e Jacob Helberg, um subsecretário de Estado. Esses são apenas alguns. Há muitos outros menos conhecidos que compõem o grupo.

Eles são predominantemente brancos e costumam ter um certo tipo de aparência: cabelo curto, ternos de padrão xadrez. Não são do tipo que ficam informando seus pronomes ou usando a palavra queer. E não se incomodam nem um pouco com o fato de que o líder de seu partido continua a alimentar um pânico moral sobre pessoas trans. Eles são gays. Mas ainda são republicanos.

Moran conhece muitos deles porque está “no trem Trump”, como ele mesmo disse, desde o início.

Em 2015, quando a elite republicana ainda tentava barrar Trump, Moran disse que ele e outros gays republicanos que conhecia ficaram intrigados com o histórico do empresário nova-iorquino de falar coisas boas sobre direitos LGBTQIA+.

Esses homens haviam sofrido homofobia de seus colegas republicanos em algum momento e viram a ascensão de Trump como algo novo, especialmente após a Convenção Nacional Republicana de 2016, quando Peter Thiel teve um espaço de destaque para falar e aproveitou para endossar Trump.

Em 2019, Moran assumiu o Log Cabin Republicans, grupo de gays republicanos, alinhando-o completamente ao movimento MAGA e aumentando seu número de membros. Ele deixou o cargo em janeiro, após quase cinco anos, esperando ser recompensado com um emprego no governo que chegava —embora não esperasse que envolvesse armas nucleares.

Parte do poder dos A-Gays vem do fato de que eles (na maioria) permanecem unidos. “Mesmo dentro da burocracia, a burocracia é esmagadora”, disse Moran. “Adoro ter essa comunidade como recurso. Antigamente, esses grupos tinham de ser fechados e escondidos, mas agora usamos isso como uma ferramenta.”

Mas há um tipo de paradoxo na existência desses homens em Washington. Eles vivem na cidade mais gay dos EUA, que também é praticamente a cidade mais hostil a Trump do país.

Os homens gays que trabalham para ele estão cientes de que estão em território hostil, cercados por outros gays que os consideram traidores, iludidos ou algo pior. Em bares gays da cidade e em aplicativos de namoro, eles são ignorados ou confrontados sobre as coisas que este presidente disse e fez.

Trump cortou recursos para o combate ao HIV no mundo e para pesquisa e financiamento de vacinas contra o vírus e serviços de prevenção de suicídio LGBTQ+. Seu secretário da Defesa anunciou, durante o mês do orgulho (junho), que o navio da Marinha chamado Harvey Milk, famoso prefeito gay de San Francisco, seria renomeado. Talvez mais preocupante para muitos gays seja o quão conservadora a Suprema Corte se tornou, graças a Trump. O casamento entre pessoas do mesmo sexo poderia ser revogado? Não é impossível.

Gays indicados por Trump entrevistados para esta reportagem —alguns dos quais disseram não estar autorizados a falar publicamente— descartam tais críticas como exagero da esquerda. Eles argumentam que a batalha pelos direitos gays basicamente já foi vencida e que nunca houve um republicano tão amigável com os gays quanto Trump.

Sempre houve homens gays no poder em Washington, mas poucos falavam sobre isso. Alguns anos atrás, o jornalista James Kirchick publicou Secret City: The Hidden History of Gay Washington, um abrangente histórico sobre o assunto.

“Ser gay era a pior coisa que você podia ser na política americana”, disse Kirchick recentemente. Ele lembrou uma citação famosa de 1983, do ex-deputado Edwin Edwards, da Louisiana: “A única maneira de eu perder esta eleição é se me pegarem na cama com uma garota morta ou um garoto vivo.”

Kirchick, 41, disse que uma maneira de ver o quanto mudou nos últimos anos é olhar como era sob o presidente republicano mais recente antes de Trump, George W. Bush (2001-2009). “Havia pessoas gays em altos cargos naquele governo, mas tinham de ser muito discretas.”

O jornalista tem sido um crítico aberto de Trump, mas notou uma diferença importante em relação a este presidente: “Trump, ele próprio, obviamente é uma grande parte da mudança. Ele claramente se sente confortável com pessoas gays.”

Antes de entrar na política, Trump falava publicamente sobre gays de uma forma que se esperaria de um nova-iorquino do show business. Ele perguntou uma vez a um participante de “O Aprendiz” se ele era homossexual. Quando o homem disse que sim, Trump respondeu: “Eu gosto de bife; alguém gosta de espaguete. Por isso existem cardápios nos restaurantes. É um mundo ótimo.”

Ele permitiu que gays entrassem em Mar-a-Lago quando outros clubes em Palm Beach ainda discriminavam. Um aliado disse que, no período em que Trump se preparava para ser candidato à Presidência, ele explicava em particular seu pensamento sobre políticas relacionadas a gays, como a igualdade no casamento: “Eu amo os gays. Eles gastam mais nos casamentos.”

Mas depois Trump escolheu como vice o então governador de Indiana, Mike Pence, que tinha longo histórico de oposição aos direitos gays. E havia o fato de que a base política que Trump havia montado incluía muitas comunidades que odeiam gays; ele nunca teria vencido sem os evangélicos. Uma vez no poder, proibiu pessoas trans nas Forças Armadas. Recentemente, zombou do casamento do democrata Pete Buttigieg.

Se você mencionar isso para os A-Gays, eles apenas riem e insistem que ninguém pode dizer seriamente que o movimento MAGA é homofóbico. Eles se divertem com o que veem como os aspectos “camp” (termo que se refere a um estilo ou estética exagerada, teatral, irônica…) da cultura gay que permeiam seu movimento: na véspera de sua posse, o presidente dançou no palco com o Village People enquanto o grupo tocava Y.M.C.A., um hino gay. Trump frequentemente comentava sobre a beleza dos homens que via na plateia ou no palco.

Kirchick chamou o presidente de “ícone camp”, acrescentando: “Ele é como uma drag queen. É escandaloso. É transgressor. É maldoso. É um narcisista como não se via desde Alexandre, o Grande.”

No início de junho, o presidente e a primeira-dama, Melania Trump, foram ao Kennedy Center para a estreia da produção de “Os Miseráveis”. Isso representou uma grande noite no calendário social MAGA —até teve tapete vermelho—, e os A-Gays compareceram em peso.

Eles logo se depararam com seus pares ideológicos quando um grupo de drag queens apareceu para invadir o evento. A presença delas era uma declaração política, já que o presidente havia dito que não haveria mais shows de drag no Kennedy Center.

As drag queens marcharam desafiadoras pelo teatro até encontrar seus assentos perto do palco. Os gays de direita as encaravam e balançavam a cabeça.

“A esquerda gay simplesmente não consegue lidar com o fato de que o presidente Trump ama os gays”, disse Casey Flores, 34, gay do movimento MAGA que se mudou para Washington em abril e começou a trabalhar no Kennedy Center como arrecadador de fundos.

“Essa ideia de que republicanos odeiam gays —isso simplesmente não é verdade, como evidenciado por todos nós”, disse Flores, referindo-se a todos os seus amigos gays que foram para Washington para trabalhar para Trump. “Estamos apenas querendo ajudar o país.”

Flores, que não é casado, disse que não está “particularmente preocupado com a revogação do casamento gay“, principalmente por causa de algumas proteções que ouviu terem sido implementadas recentemente. (Ele se referia à Respect for Marriage Act, assinada pelo presidente Joe Biden em 2022; a lei garante o reconhecimento federal do casamento entre pessoas do mesmo sexo e foi aprovada por uma coalizão bipartidária.)

E quanto a algumas das facções e personagens mais homofóbicos do mundo MAGA? É difícil, como homem gay, conviver com evangélicos e pessoas como Pete Hegseth, secretário da Defesa, que tem histórico de críticas a políticas que permitem gays nas Forças Armadas?

Não muito, disse Flores.

“Ninguém é mais cruel com gays do que outros gays”, afirmou. “Os gays da esquerda odeiam cristãos socialmente conservadores mais do que esse grupo odeia os gays, e acho que isso fica visível todos os dias nas redes sociais e em outros lugares.”



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Biocombustível de macaúba mudará vida de agricultores em MG, diz

Biocombustível de macaúba mudará vida de agricultores em MG, diz Lula

agosto 30, 2025

175655083368b2d6b1a6813_1756550833_3x2_rt.jpg

Justiça dos EUA limita deportação acelerada de migrantes – 30/08/2025 – Mundo

agosto 30, 2025

naom_68b2da2a71d6f.webp.webp

Suspeito de matar cunhado do jogador Antony é preso no Grande Recife

agosto 30, 2025

EUA mudam regras para entrevistas de visto a brasileiros -

EUA mudam regras para entrevistas de visto a brasileiros – 26/08/2025 – Mundo

agosto 30, 2025

Veja também

Biocombustível de macaúba mudará vida de agricultores em MG, diz

Biocombustível de macaúba mudará vida de agricultores em MG, diz Lula

agosto 30, 2025

175655083368b2d6b1a6813_1756550833_3x2_rt.jpg

Justiça dos EUA limita deportação acelerada de migrantes – 30/08/2025 – Mundo

agosto 30, 2025

naom_68b2da2a71d6f.webp.webp

Suspeito de matar cunhado do jogador Antony é preso no Grande Recife

agosto 30, 2025

EUA mudam regras para entrevistas de visto a brasileiros -

EUA mudam regras para entrevistas de visto a brasileiros – 26/08/2025 – Mundo

agosto 30, 2025