À vista ou parcelado? Especialistas dão dicas sobre a melhor forma de pagar IPTU e IPVA

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JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com o início de 2026, os contribuintes já podem se preparar para o pagamento do IPTU e do IPVA, que oferecem descontos para quem quitar à vista.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, quem antecipar o pagamento do IPVA em janeiro ganha 3% de abatimento no valor do tributo. No Rio Grande do Sul, quem antecipou o pagamento ainda em dezembro conseguiu descontos que chegaram a até 25,69%, somando benefícios extras que podem ser adicionados.

Mas será que aproveitar esses descontos é sempre a melhor opção?

Especialistas em finanças pessoais orientam que a decisão deve levar em conta a situação financeira individual e até mesmo o possível rendimento de aplicações financeiras.

O parcelamento sem juros pode ser mais vantajoso do que pagar antecipado, por exemplo, quando o dinheiro está investido e rendendo acima do percentual de desconto oferecido.

Para tomar a decisão, os consumidores também devem considerar o patamar da Selic, a taxa básica de juros da economia, que influencia diretamente o rendimento das aplicações financeiras.

Com a Selic hoje em 15%, investimentos conservadores de renda fixa seguem oferecendo retornos elevados. Relatórios de mercado indicam uma tendência de redução da taxa ao longo de 2026, de forma gradual, o que sugere que esses rendimentos devem permanecer atrativos no curto prazo e não devem alterar de maneira significativa a escolha entre pagar à vista ou parcelar.

Segundo Natale Papa Júnior, professor de finanças do Ibmec-RJ, com os juros ainda elevados no país, as aplicações conservadoras podem reduzir ou eliminar a vantagem do pagamento à vista, especialmente quando o parcelamento é sem juros. Ainda assim, ele ressalta que a decisão deve considerar o impacto no orçamento do início do ano, que para algumas família também é acompanhado pela compra de materiais escolares, e o grau de disciplina financeira de cada contribuinte.

“Quem não lida bem com uma reserva de dinheiro, vale a pena já fazer o pagamento à vista para garantir que vai ter a disciplina suficiente, porque senão a pessoa pode se comprometer a guardar e surgir um outro imprevisto, acabar gastando o dinheiro com outra coisa e aí não vai ter nem o rendimento dos juros para compensar o parcelamento nem o dinheiro para pagar essas parcelas”, diz o especialista.

O consultor financeiro Renan Diego, autor do livro “Produtividade Financeira”, elaborou um exemplo prático para ajudar os consumidores a avaliar a decisão. Ele considerou um IPVA de R$ 2.400, com desconto de 5% para pagamento à vista (o que reduz o valor para R$ 2.280), em comparação com o parcelamento em três vezes sem juros de R$ 800.

No pagamento à vista, a economia imediata seria de R$ 120. Já no cenário de parcelamento, o consumidor manteria os R$ 2.280 aplicados por três meses. Para empatar com o desconto, esse valor precisaria render mais de R$ 120 no período, o equivalente a cerca de 1,7% ao mês líquido. “Se o dinheiro não estiver rendendo acima disso, pagar à vista é mais vantajoso”, afirma Diego.

Nos casos em que o desconto é de até 5%, Diego afirma que o parcelamento pode valer a pena se o dinheiro estiver rendendo acima de 1,5% a 2% ao mês, oferecendo liquidez e segurança. Quando o desconto varia de 8% a 10%, porém, o especialista diz que, na maioria das vezes, pagar à vista tende a ser a melhor opção.

No caso do IPVA, o parcelamento costuma ser limitado a três meses, um prazo curto para que os juros compostos façam diferença relevante. Além disso, Diego diz que, na realidade da maioria dos brasileiros, aplicações como Tesouro Selic e CDBs dificilmente superam bons descontos à vista no curto prazo.

Já no caso do IPTU, que costuma oferecer prazos de parcelamento mais longos, Natale Papa Júnior, avalia que a comparação entre investir o dinheiro e parcelar o imposto pode fazer mais sentido.

CUIDADO COM AS PARCELAS

“Muitos brasileiros têm dificuldade de entender que parcelamento sem juros não significa parcelamento sem custo”, afirma Renan Diego. Segundo o consultor financeiro, ao parcelar, é preciso considerar os riscos que podem comprometer o planejamento, como a perda de controle do orçamento mensal e o acúmulo de parcelas ao longo do ano.

Para não comprometer a renda, Diego recomenda que despesas fixas e parcelas somadas não ultrapassem 50% do orçamento mensal. Já impostos e gastos sazonais deveriam representar, idealmente, até 10% da renda. “Quando as parcelas passam de seis vezes, é um sinal de alerta para despesas que deveriam ser planejadas antes”, acrescenta.

PREPARAÇÃO PARA AS FINANÇAS DE INÍCIO DE ANO

O especialista diz que existem três passos simples que ajudam o planejamento financeiro para esse período. O primeiro é criar uma reserva de gastos sazonais, separando ao longo dos meses um valor que consiga arcar com o IPVA, IPTU, materiais escolares e outras contas habituais do começo do ano.

Depois, é recomendado mapear o calendário financeiro do ano. Segundo Diego, saber quando cada despesa chega evita decisões por impulso. Já o terceiro passo é manter um orçamento organizado, criando uma reserva de segurança, sendo possível, com isso, ter uma previsibilidade de despesas obrigatórias.



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