Análise: Histórico do Nobel mantém Trump no páreo em 2026 – 10/10/2025 – Mundo

Análise: Histórico do Nobel mantém Trump no páreo em 2026


O prestigioso Nobel da Paz concorre com o Oscar na categoria de prêmio mais opaco em termos de caráter decisório de seus votantes.

É tão misterioso que nem mesmo o motivo de Alfred Nobel ter deixado explícito em seu testamento que a láurea deveria ser concedida por um comitê norueguês, enquanto as quatro outras originais seriam decididas por um colegiado sueco, é conhecido.

Opaco e, como disse o chefe do comitê, Jorgen Watne Frydnes, corajoso. Tanto que, ao longo da história, decisões políticas inusuais se repetiram —para ficar na temática deste ano, ninguém entendeu a premiação de Barack Obama em 2009, a começar pelo próprio.

Há vários outros casos a citar de pessoas cujo comportamento posterior colocou em xeque a racionalidade dos noruegueses, como a birmanesa Aung San Suu Kyi ou o etíope Abiy Ahmed, em tempos recentes.

Apesar do segredo de 50 anos sobre os 224 indivíduos e 94 organizações indicadas neste ano, vários nomes são conhecidos, a começar por Donald Trump, indicado por uma áulica, a deputada republicana Claudia Tenney (Nova York).

Como representante eleita, uma das categorias de pessoas que podem indicar concorrentes, ela fez a sugestão com apenas dez dias do segundo mandato de Trump, em 30 de janeiro.

Parecia piada e muitos seguirão tratando assim, dada a volúpia com que o republicano tratou a ideia de ser o vencedor. Para ele, a medalha com a efígie de Nobel era mais um troféu a ser exposto na Casa Branca, assim como ele fez com o surrupiado da Fifa após a final do Mundial de Clubes nos EUA, em julho.

Mas o fato é que nada impede que em 2026 ou depois Trump possa se gabar do prêmio, por mais que sua compulsão pela mentira ao falar de “seis ou sete guerras” encerradas neste ano sugira provocar asco entre os vetustos nórdicos.

Primeiro, pela opacidade do processo decisório e o histórico de decisões polêmicas. Segundo, porque o republicano tem a chance de ver um grande sucesso na sua coleção de bravatas pacifistas: o eventual fim definitivo da guerra em Gaza.

Foi sua intervenção, após a relatada irritação com o ataque de Binyamin Netanyahu a membros do Hamas no Qatar, que tornou possível a pressão final sobre o premiê israelense. Por ora é tudo uma carta de intenções e pouco se sabe dos próximos passos caso o primeiro seja dado no plano de Trump.

Isso dito, se daqui a um ano o morticínio de fato tiver sido interrompido, Trump poderá ser contemplado. Neste ano, Gaza nem entrou na conta: o comitê disse ter escolhido o nome de María Corina Machado na segunda (6), antes de Israel e os terroristas do Hamas toparem a proposta americana.

A própria premiação de María Corina poderá ser capitalizada por Trump, se as feridas em seu ego não estiverem muito doloridas. Ele já a elogiou como líder democrática e está em meio a uma ofensiva de pressão para derrubar o ditador que ela combate, o venezuelano Nicolás Maduro.

Aí os meios são bem pouco pacifistas: uma frota de navios, aviões e submarino, mais alguns milhares de fuzileiros navais, estão ciscando no Caribe em torno da Venezuela. Se irá às vias de fato, é incerto.

Trump também pode voltar suas baterias da paz de volta à Ucrânia, seu maior fracasso pelo tanto que apostou na boa relação que tem com o russo Vladimir Putin, a quem reintegrou à categoria de líder mundial recebido nos Estados Unidos com pompa relativa.

Frustrado no intento de acabar com o conflito em 24 horas, como propagandeava, o americano agora ameaça girar a bússola americana em direção a Kiev, fornecendo mísseis de cruzeiro que nem Joe Biden teve coragem de dar a Volodimir Zelenski.

Tudo sugere um jogo de pressão para tentar recolocar as negociações, muito mais complexas do que as de Gaza, em algum tipo de trilho.

Dando certo e com o arranjo em Gaza de pé, e se Trump não declarar guerra à Noruega pela derrota desta sexta (10), já que os cinco eleitores são indicados pelo Parlamento do país, o azedume de ver uma figura associada à erosão da democracia e promotora de um Departamento da Guerra premiada em Oslo não é impensável.



Fonte CNN BRASIL

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