Arábia Saudita tenta entrar no GCAP, mas Japão resiste – 14/08/2023 – Mundo

Arábia Saudita tenta entrar no GCAP, mas Japão resiste -


A Arábia Saudita pressiona o Reino Unido, o Japão e a Itália para que os países permitam sua participação em uma iniciativa que promete revolucionar a tecnologia dos caças militares que os três assinaram em dezembro.

O pedido, confirmado por cinco autoridades das três nações originalmente responsáveis pelo projeto, já criou tensões dentro da aliança. Enquanto os britânicos e os italianos estão abertos à ideia da adesão saudita, Tóquio se opõe firmemente a ela.

O Global Combat Air Program (GCAP), que visa entregar uma aeronave de combate altamente avançada e exportável até 2035, representou um avanço significativo para os três signatários —mas para o Japão em especial, uma vez que o país, que adotou uma política pacifista após ser derrotado na Segunda Guerra Mundial, restringia suas exportações de armamentos e outros equipamentos militares e nunca chegou a colaborar num programa dessa escala e complexidade.

As tentativas da Arábia Saudita de entrar no GCAP se intensificaram significativamente nas últimas semanas, segundo autoridades de Londres e Tóquio. Esses esforços incluíram um pedido direto ao governo japonês em julho, quando o primeiro-ministro Fumio Kishida se encontrou com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman em Jiddah.

A participação saudita envolveria uma contribuição financeira potencialmente importante para um projeto cujos custos são estimados em dezenas de bilhões de dólares, dizem pessoas informadas sobre o assunto. Elas afirmam ainda que, embora as negociações ainda estejam em um estágio inicial, a proposta saudita também poderá incluir a oferta de contribuir com expertise em engenharia em diferentes etapas do projeto.

Uma fonte sênior da Defesa britânica afirmou que a Arábia Saudita é uma parceira importante no programa e que o governo estava trabalhando para garantir o avanço de sua inclusão na aliança o mais rápido possível.

O Japão revogou em 2014 sua proibição de exportar armas, vigente há décadas, e está discutindo o relaxamento das restrições para permitir que, com o GCAP, elas possam ser vendidas para mais mercados estrangeiros. Mas as autoridades do país asiático disseram que adicionar a Arábia Saudita à mistura complicaria ainda mais as discussões sobre os países para os quais Tóquio poderia vender armas.

Um quarto membro também complicaria as negociações de um projeto que já enfrenta um prazo apertado. Uma fonte com conhecimento sobre as negociações disse que o Japão está focado em entregar uma aeronave até 2035 e teme que o envolvimento saudita crie atrasos.

Apesar do apoio expresso por Itália e Reino Unido à adesão saudita, pessoas que acompanham as negociações disseram que ainda há ressalvas substanciais, incluindo dúvidas sobre se o novo parceiro teria de fato algo importante para oferecer no lado tecnológico.

Há preocupações ainda maiores com a segurança, que já é uma fonte de tensão na atual aliança tripla devido à exigência do projeto de compartilhar tecnologia e informações confidenciais. Antes do GCAP, o Reino Unido pressionou o Japão a melhorar sua segurança cibernética e adotar uma estrutura mais rigorosa para a verificação de segurança dos envolvidos.

O interesse da Arábia Saudita no GCAP sucede atrasos na obtenção de uma segunda leva de aeronaves Eurofighter Typhoon do Reino Unido.

O reino rico em petróleo é um dos que mais gasta em armamentos, principalmente vindos dos Estados Unidos. Mas Riad também está investindo bilhões de dólares para desenvolver uma indústria de armas própria, e busca parcerias com fabricantes para se tornar um produtor.

A Alemanha, um dos quatro parceiros no consórcio Eurofighter, impôs um embargo de armas contra o reino em 2018, depois do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi por agentes sauditas e o envolvimento do país na guerra do Iêmen. No mês passado, Berlim declarou que não apoiaria a entrega da aeronave Typhoon à Arábia Saudita tão cedo.

A posição da Alemanha ameaça impedir um pedido subsequente de mais Typhoons prometido em um memorando de intenções firmado entre o Reino Unido e a Arábia Saudita em 2018. Uma grande parte dos componentes do Eurofighter é fabricada em território britânico, mas alguns vêm dos outros parceiros –Alemanha, claro, Itália e Espanha–, e estes podem vetar a exportação do caça para outros países.

O Reino Unido, que tem antigos laços históricos com a Arábia Saudita, lançou um estudo de viabilidade com Riad no início deste ano para explorar a colaboração futura em capacidades aéreas de combate. Na época, porém, Londres disse que o acordo era diferente do GCAP.

Os ministérios da Defesa do Japão e da Itália não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves 



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