O empresário Nasry Asfura, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve uma vantagem mínima na apuração das eleições presidenciais de Honduras nesta sexta-feira (5), sexto dia de uma disputa acirrada contra seu principal adversário, o apresentador de televisão Salvador Nasralla.
O primeiro, membro do direitista Partido Nacional, aparecia à frente já no domingo (30), quando ocorreram as eleições gerais e a apuração começou. Mas na terça-feira (2), após problemas no sistema operacional, chegou a ser ultrapassado por Nasralla, do Partido Liberal, de centro-direita.
Com 87,84% das urnas apuradas, Asfura tinha 40,2%, cerca de 20 mil votos à frente de Nasralla, que estava com 39,48%, segundo a autoridade eleitoral. Rixi Moncada, do partido governista de esquerda Libre, aparecia em um distante terceiro lugar, com 19,31%.
Cerca de 14% das urnas apresentaram inconsistências e seriam revisadas, segundo autoridades locais, colocando mais tensão no pleito do país centro-americano, que tem um histórico de fraudes e golpes de Estado, além de enfrentar sérios problemas com a violência do narcotráfico.
O CNE interrompeu a divulgação de dados na madrugada de segunda-feira (1º), o que levou Trump a ameaçar “consequências graves” para Honduras, sugerindo que havia risco de fraude, sem apresentar provas. A transmissão foi retomada no dia seguinte, mas voltou a ser interrompida na quarta-feira (3) por três horas para manutenção do sistema.
“A democracia está sendo posta à prova nesta eleição em Honduras. O povo hondurenho merece ter sua vontade respeitada e sua voz ouvida”, disse o vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, na noite de quinta (4). “Os olhos do mundo, incluindo os nossos, estão voltados para Honduras.”
Após pedir aos hondurenhos que votassem em Asfura na reta final da campanha, Trump concedeu indulto a um correligionário do candidato, o ex-presidente Juan Orlando Hernández (2014-2022). Ele foi libertado na segunda (1º) sem cumprir os 45 anos de prisão por tráfico de drogas aos quais havia sido condenado.
“Quero agradecer ao presidente Donald Trump por reconhecer a injustiça no meu caso e por me conceder o indulto, bem como pelas palavras fortes e muito claras dirigidas ao povo hondurenho. Sou grato por ele ter demonstrado interesse no destino da nossa nação”, disse Hernández em sua conta no TikTok, sua primeira mensagem em vídeo após deixar a prisão.
Nasralla, que já se candidatou à Presidência três vezes e se identifica como de centro-direita, disse à agência Reuters que o apoio surpresa de Trump ao conservador Asfura na semana passada mudou o rumo da disputa. Ele ainda rejeitou o rótulo de “quase comunista” dado por Trump. Também acusou seus rivais de conspirarem para roubar a eleição, embora reconheça não ter provas de irregularidades.
Segundo especialistas, o apoio de Trump a Asfura é uma estratégia para formar um bloco conservador na América Latina, que vai de Nayib Bukele em El Salvador a Javier Milei na Argentina.
Eleições contestadas em Honduras, como a de 2017, já levaram a protestos de rua em massa e violência estatal no país, mas Tegucigalpa permaneceu calma nesta sexta, enquanto os cidadãos aguardavam os resultados finais.
Honduras elege seu presidente em turno único. O presidenciável com o maior número de votos vence, mesmo que a margem seja pequena ou que o candidato não alcance a maioria.
O CNE (Conselho Nacional Eleitoral) pediu calma e paciência enquanto os votos finais eram contados e as cédulas inconsistentes eram revisadas. A presidente do órgão, Ana Paola Hall, disse que o processo levaria tempo, mas que seria concluído dentro do prazo legal de 30 de dezembro.




