Ataque dos EUA é secundário na fronteira Brasil-Venezuela – 04/01/2026 – Mundo

Ataque dos EUA é secundário na fronteira Brasil-Venezuela - 04/01/2026


Só se fala disso em Santa Elena de Uairén: dá para passar normalmente na fronteira? Estão fiscalizando todos os carros? Há algum bloqueio? O ataque dos Estados Unidos a Caracas que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, neste sábado (3), fica em segundo plano, em conversas à boca miúda, na cidade que faz fronteira com o Brasil.

Distante 1.250 km da capital e vazia na tarde deste domingo (4), quando a maioria do comércio fecha as portas, Santa Elena divide com Pacaraima (RR) a dinâmica de fronteira entre os países.

O trânsito diário de carros e pessoas entre a cidade de Pacaraima é constante, mas com o breve fechamento da passagem, no sábado, em razão da queda do ditador, quem vive desse deslocamento passou a repensar os próximos passos.

Ao lado da estátua de Simón Bolívar na praça central de Santa Elena, o vendedor ambulante Alejandro (nome fictício) perguntou, ao ver a placa brasileira do carro da reportagem, se a fiscalização no lado brasileiro da fronteira estava parando todos os veículos. Ele costuma ir a Pacaraima comprar itens para vender na região —conhecida, como Roraima, pela atividade garimpeira.

O ataque americano deste sábado é alvo de especulações dos venezuelanos que se dispõem a falar sobre o tema na região de fronteira. Do lado brasileiro, há celebração, mas a conversa muda de tom na cidade venezuelana, o que sugere um receio de falar de forma aberta sobre o tema.

Em um dos poucos mercados abertos da cidade, John (nome fictício), rodeado de produtos brasileiros etiquetados em reais (aceita-se Pix), baixa um pouco o volume da voz ao especular que a velocidade e facilidade da captura de Maduro podem significar que autoridades próximas do ditador o entregaram.

O fluxo de migrantes para Pacaraima é reduzido nos finais de semana, quando a Operação Acolhida não presta os serviços de acolhimento e triagem dos dias úteis.

Nem por isso Santa Elena fica cheia de pessoas à espera de cruzar para o Brasil: diferentemente de Pacaraima, cujo núcleo urbano principal fica colado à fronteira, é preciso passar cerca de 15 km e alguns vilarejos, em meio a terras indígenas, para chegar ao centro de Santa Elena.

Ainda no meio do caminho para a cidade, a reportagem passou pelo aeroporto nacional de Santa Elena, que fica em frente à base militar de Forte Roraima, além de apenas um posto de controle da Força Armada Nacional Bolivariana, que fez fiscalização semelhante à do lado brasileiro.

Em volta da praça principal de Santa Elena há uma série de pequenos comércios, uma agência permanentemente fechada de um banco privado e um cinema desativado, cujas paredes são pintadas por um grafite em comemoração de cem anos de Santa Elena com a frase “eu me alisto em defesa da pátria”.

Em Pacaraima, o fluxo de carros e pessoas não diferia de outros dias de fronteira aberta, segundo relatos de taxistas, militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A fronteira do Brasil com a Venezuela é porosa. Do lado esquerdo do marco da fronteira e da passagem oficial, olhando pelo lado brasileiro, funciona a base da Operação Acolhida e o 3º Pelotão Especial de Fronteira do Exército.

Do lado direito, no entanto, há uma série de caminhos à vista de qualquer um pela savana, cenário típico do bioma do lavrado, característico do norte roraimense. As chamadas “trochas” têm pouca fiscalização, a despeito de estarem a poucos metros da rota asfaltada, e é usada diariamente por migrantes e por quem quer burlar eventual vistoria.

“Compramos de tudo aqui, principalmente a carne, é melhor. Às vezes também levamos combustível, que agora está muito caro na Venezuela, e também acaba muito rápido em Santa Elena”, afirma Kerlis, que estava chegando, pela manhã, em Pacaraima e preferiu dar apenas seu primeiro nome.

Sobre a queda de Maduro, ela é menos esperançosa que outros compatriotas. “Outros estão felizes. Nós, que vivemos e sofremos, na Venezuela, não estamos tão felizes porque não sabemos o que vai acontecer. Tem gente que fica feliz sem saber a situação por lá”, diz ela, que chegava a Pacaraima para compras.

Já em Boa Vista, a 200 km da fronteira, venezuelanos celebram quase sem filtros. “Você vai comigo na minha casa na Venezuela e a gente vai tomar cachaça”, disse Yenni, 55, a uma colega de trabalho em um hotel da capital roraimense. “Agora que pegaram o Maduro ela é estrangeira, até ontem dizia que era daqui”, brincou a colega brasileira.



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

Cada ameaça de Trump à Otan a torna mais vazia

Cada ameaça de Trump à Otan a torna mais vazia – 02/04/2026 – Mundo

abril 2, 2026

177516255869ced4be98723_1775162558_3x2_rt.jpg

Macron fala em missão para reabrir Hormuz ao fim da guerra – 02/04/2026 – Mundo

abril 2, 2026

naom_5f2956c2d0362.webp.webp

Rio de Janeiro e Rondônia não vão reduzir ICMS sobre combustível

abril 2, 2026

Botafogo oficializa contratação do técnico português Franclim Carvalho

Botafogo oficializa contratação do técnico português Franclim Carvalho

abril 2, 2026

Veja também

Cada ameaça de Trump à Otan a torna mais vazia

Cada ameaça de Trump à Otan a torna mais vazia – 02/04/2026 – Mundo

abril 2, 2026

177516255869ced4be98723_1775162558_3x2_rt.jpg

Macron fala em missão para reabrir Hormuz ao fim da guerra – 02/04/2026 – Mundo

abril 2, 2026

naom_5f2956c2d0362.webp.webp

Rio de Janeiro e Rondônia não vão reduzir ICMS sobre combustível

abril 2, 2026

Botafogo oficializa contratação do técnico português Franclim Carvalho

Botafogo oficializa contratação do técnico português Franclim Carvalho

abril 2, 2026