A pessoa que, segundo a polícia, abriu fogo em uma escola católica em Minneapolis nesta quarta-feira (28) parece conhecer bem a escola.
Robin W. Westman, que segundo as autoridades atirou contra a igreja através dos vitrais, matando duas crianças, teria frequentado a escola da Igreja Católica da Anunciação, de acordo com uma autoridade com conhecimento da investigação.
Sua mãe, Mary Grace Westman, trabalhou no escritório administrativo da igreja por cinco anos antes de se aposentar em 2021. E em um vídeo postado nas redes sociais, a suspeita mostrou um desenho feito à mão do interior da Igreja da Anunciação.
Westman, armada com três armas, parece ter escolhido o momento com cuidado. Ela barricou as portas durante a primeira missa do ano letivo, disse a polícia. Mas é difícil entender o que levou Westman a atacar antes de se matar, apesar dos escritos e vídeos sombrios e violentos que ela deixou para trás.
O ataque matou uma criança de 8 anos e outra de 10 nos bancos da igreja e feriu outras 17, de acordo com o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara. As três armas foram compradas legalmente, segundo autoridades policiais.
Westman, 23, morava em um prédio de tijolos de três andares em um complexo em Richfield, um subúrbio ao sul da igreja. Ela trabalhou em um distribuidor local de cannabis por vários meses este ano.
Aos 17 anos, ela entrou com um documento no tribunal para mudar seu primeiro nome, de Robert para Robin. O documento também foi assinado por sua mãe. O documento observava que Westman “se identificava como mulher e queria que seu nome refletisse essa identificação”.
Nas redes sociais, alguns ativistas conservadores aproveitaram a identidade de gênero da atiradora para retratar de forma generalizada as pessoas transgênero como violentas ou mentalmente doentes. A polícia não forneceu nenhum motivo para o ataque, mas o extenso histórico de Westman nas redes sociais era um catálogo contraditório de raiva e ressentimento.
Em vídeos aparentemente espontâneos que ela postou, ela se fixava em armas, violência e atiradores em escolas. Ela exibia seu próprio arsenal de armas, balas e o que parecem ser dispositivos explosivos, rabiscados com linguagem antissemita e racista e ameaças contra o presidente Donald Trump.
Os vídeos também mostram páginas de um diário, com longas partes descrevendo ódio por si mesma, violência contra crianças e um desejo de causar danos a si mesma. As anotações do diário são quase inteiramente escritas em inglês, mas usando letras do alfabeto cirílico. Um adesivo no diário exibe bandeiras LGBTQ+ e transgênero com uma arma e o slogan “Defenda a Igualdade”.
A polícia disse que os vídeos publicados foram retirados do ar.
O alvoroço da direita sobre a identidade de gênero de Westman ecoou a reação politizada ao tiroteio em massa de 2023 na The Covenant School, em Nashville, Tennessee, que foi realizado por um ex-aluno que, segundo a polícia, era transgênero.
Em uma entrevista coletiva, o prefeito Jacob Frey, de Minneapolis, um democrata, pediu ao público que evitasse culpar as pessoas transgênero após a tragédia.
“Tenho ouvido muito ódio dirigido à nossa comunidade trans“, disse ele. “Qualquer pessoa que esteja usando isso como uma oportunidade para demonizar nossa comunidade trans —ou qualquer outra comunidade— perdeu seu senso de humanidade comum.”
“Não devemos agir com base no ódio por ninguém —devemos agir com base no amor por nossos filhos”, acrescentou. “Crianças morreram hoje. Isso precisa ser sobre elas.”