O governo brasileiro condenou neste domingo (22) o ataque dos Estados Unidos e Israel a instalações nucleares do Irã.
Em nota divulgada pelo Itamaraty, a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ataques a centros de desenvolvimento nuclear são uma transgressão às normas das Nações Unidas e uma violação do direito internacional.
“Ações armadas contra instalações nucleares representam uma grave ameaça à vida e à saúde de populações civis”, disse a nota, afirmando que há risco de contaminação radioativa e de desastres ambientais de larga escala com o bombardeio.
A diplomacia do Brasil também criticou os ataques recíprocos contra áreas densamente povoadas, que têm provocado mortes e destruição de infraestrutura civil, como hospitais.
A nota, que reitera a posição brasileira histórica em favor do uso da energia nuclear para fins pacíficos, pede ainda contenção de todas as partes envolvidas no conflito.
“O Brasil ressalta a urgente necessidade de solução diplomática que interrompa esse ciclo de violência e abra uma oportunidade para negociações de paz”, diz a nota.
A diplomacia brasileira já havia condenado os ataques israelenses ao Irã quando o governo de Binyamin Netanyahu começou a ofensiva. Na ocasião, o Itamaraty tratou os bombardeios como uma violação à soberania iraniana.
Em reunião do G7, realizada na última terça-feira, Lula afirmou que o conflito entre Irã e Israel pode transformar o Oriente Médio em “único campo de batalha”, com consequências globais inestimáveis”, disse o presidente brasileiro, sem fazer referência nenhuma à retaliação de Teerã.
Os Estados Unidos entraram na guerra de Israel contra o Irã nove dias depois de o Estado judeu iniciar o ataque contra o rival. A primeira resposta do Irã ao inédito ataque dos Estados Unidos a suas instalações nucleares foi a intensificação de suas barragens de mísseis balísticos contra Israel. Mas a teocracia promete revidar contra Washington e vai consultar o aliado Vladimir Putin sobre a crise.
Uma salva de mísseis deixou ao menos 23 feridos e, segundo as forças israelenses, envolveu cerca de 40 projéteis, que atingiram três regiões, inclusive a maior zona metropolitana do país, em torno de Tel Aviv.
A escalada do conflito começou quando Israel bombardeou o Irã no dia 12 de junho, depois que negociações nucleares entre Teerã e os Estados Unidos de Donald Trump estagnaram.
Tel Aviv atacou a infraestrutura nuclear do país persa e mirou seus altos comandantes militares, como o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Mohammad Bagheri.
Israel já havia dito que não permitiria que o país persa, seu inimigo histórico, adquirisse uma bomba atômica, algo que o regime iraniano parecia próximo de ser capaz de fazer.
O Irã tem retaliado os ataques com o lançamento de centenas de mísseis, que atingiram prédios de civis em Israel, deixando mortos.




