Os governos do Brasil e da Rússia criticaram, em declaração conjunta assinada nesta quinta-feira (5), a tentativa dos americanos de excluir a África do Sul da cúpula de 2026 do G20, reunião das 20 maiores economias globais.
“O Brasil e a Rússia […] manifestaram sua preocupação diante da tentativa de impedir a participação da África do Sul no G20 em 2026 e exortaram o restabelecimento da atuação daquele país”, diz a declaração, sem fazer menção direta aos EUA ou ao presidente Donald Trump.
“Frisaram que o G20 deve continuar a agir em estrita conformidade com os princípios de governança coletiva, tomada de decisões por consenso e manutenção da representatividade estabelecida.” O texto é assinado pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em novembro do ano passado, o presidente Donald Trump anunciou que boicotaria a cúpula na África do Sul e depois que excluiria o país da próxima reunião do G20, em Miami, no estado americano da Flórida.
Trump justifica a exclusão com base em alegações falsas de que estaria ocorrendo um “genocídio branco” na África do Sul. A fala tem como base uma lei recém-aprovada naquele país que facilita a expopriação de propriedades rurais improdutivas.
A declaração conjunta assinada nesta quinta entre Brasil e Rússia também critica o que chama de medidas coercitivas unilaterais, particularmente contra países em desenvolvimento. “Tais medidas são ilícitas, ilegítimas e incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas, além de violarem os direitos humanos das populações atingidas.”
O trecho pode ser lido como uma crítica à operação militar americana que sequestrou, em território venezuelano, o ditador Nicolás Maduro. A Rússia era um dos principais aliados do regime chavista na Venezuela e invadiu, em 2022, a vizinha Ucrânia.
Em outros trechos, o comunicado do Itamaraty reforça a necessidade de ampliar a cooperação entre Brasil e Rússia, diversificando a pauta comercial. Também defende o multilateralismo e fala em reformar as instituições financeiras criadas pelo Acordo de Bretton Woods –Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.




