O brasileiro Maximiano Jose Teixeira-Fernandes, 40, foi detido na semana passada pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, na cidade de Stow, em Massachusetts. Ele era proprietário do Stow Café e, de acordo com entrevistas a jornais locais, mantinha o empreendimento desde 2011.
A informação da prisão de Maximiano, conhecido como Max, foi confirmada pelo senador de Massachusetts, o democrata Jamie Eldridge. No Facebook, o político escreveu que vários moradores da cidade o procuraram após o episódio e que, junto com a deputada Kate Hogan, estava dando assistência à família.
Max foi levado para o escritório do ICE em Boston. Em decisão nesta quinta (5), o juiz do caso afirmou que ele entrou nos EUA em 2005 com o visto B2, de turista. No entanto, permanecia no país além do prazo.
O juiz determinou que Max deverá ter direito a uma audiência de fiança dentro de sete dias, conforme a lei de imigração, garantindo que ele possa pedir liberação temporária mesmo estando com o visto expirado.
De acordo com relatos, Max foi preso a caminho do trabalho. Pelas redes sociais, a polícia local informou que não esteve envolvida na prisão e que também não recebeu notificação prévia sobre a ação do ICE.
“O departamento de polícia de Stow não participa da política de imigração, e nosso foco está em garantir a segurança da comunidade”, diz o comunicado. “O ICE não nos fornece informações sobre suas atividades, nem nos atualiza após a realização de uma ação de fiscalização.”
A polícia diz ainda que acredita que a detenção tenha sido emitida em resposta a um caso de agressão e violência física contra uma pessoa com mais de 14 anos —caso que teria sido resolvido na Justiça. De acordo com registros do tribunal de Justiça local, o brasileiro, em 2024, respondeu a múltiplas acusações criminais em Massachusetts, incluindo agressão indecente e sequestro.
A acusação de sequestro foi arquivada a pedido do Ministério Público, enquanto outras acusações resultaram em acordos “continued without a finding”, mecanismo do sistema judicial americano que suspende o processo sem condenação formal, desde que o réu cumpra determinadas condições impostas pela Justiça.
Pelas redes sociais, amigos de Max abriram uma vaquinha online para arrecadar dinheiro para ajudar sua família durante o período que ele está detido. Segundo o texto, o brasileiro tem filhas trigêmeas, além de uma adolescente e um outro menino. “Max é o único provedor de sua família, trabalhando no café e assumindo um emprego de meio período à noite para garantir que seus familiares sejam cuidados”, diz.
No site da vaquinha, o caso que envolveu a Justiça é detalhado. E, segundo eles, Max foi detido em decorrência de um antigo processo judicial que já havia sido resolvido.
“O caso envolvia outro adulto, não um menor, e foi totalmente encerrado. Essa situação deixou sua família em um estado de incerteza e medo, já que Max é o alicerce do lar. Sem seu apoio diário, sua esposa e filhos estão enfrentando dificuldades para lidar tanto emocional quanto financeiramente”, diz. Até agora, o site já arrecadou US$ 47 mil, cerca de R$ 282 mil.



