As facções brasileiras Comando Vermelho e PCC devem ser classificadas como grupos terroristas pelo governo dos Estados Unidos, como mostrou reportagem do UOL. O Departamento de Estado disse à Folha que não descarta a possibilidade de adotar a medida, mas que não antecipa este tipo de anúncio. Uma autoridade brasileira contou que integrantes do governo Donald Trump vieram ao Brasil no ano passado para coletar informações sobre as organizações criminosas.
A justificativa da Casa Branca é o risco à segurança nacional americana. O governo Lula quer evitar a classificação e tenta buscar alternativas à proposta americana. O presidente brasileiro disse querer negociar com Donald Trump um projeto para que os países combatam o crime organizado em parceria e afirmou esperar poder falar do tema com o americano em uma próxima conversa —ainda sem data marcada.
Especialistas ouvidos pela Folha divergem sobre a margem que a classificação abre para uma eventual interferência em solo brasileiro —um dos temores do Planalto. Parte deles avalia que poderia haver aqui uma ação como a na Venezuela contra o ditador Nicolás Maduro e as que miraram barcos no mar do Caribe. Outros entendem que, no caso do Brasil, uma intervenção unilateral teria um custo muito alto para a Casa Branca.
O Café da Manhã desta quinta-feira (12) discute por que os Estados Unidos têm interesse em classificar facções brasileiras como terroristas e o que significará caso isso aconteça. O doutor em ciências sociais pela Unicamp Evandro Cruz Silva conta como a ideia de narcoterrorismo começou a ser usada na atuação transnacional americana e analisa as implicações de misturar segurança nacional e segurança pública.
O programa de áudio é publicado no Spotify, serviço de streaming parceiro da Folha na iniciativa e que é especializado em música, podcast e vídeo. É possível ouvir o episódio clicando acima. Para acessar no aplicativo, basta se cadastrar gratuitamente.
O Café da Manhã é publicado de segunda a sexta-feira, sempre no começo do dia. O episódio é apresentado pelas jornalistas Gabriela Mayer e Magê Flores, com produção de Daniel Castro, Gustavo Luiz, Laura Lewer e Lucas Monteiro. A edição de som é de Raphael Concli.




