A polícia de Londres concedeu nesta terça-feira (24) liberdade a Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, após o pagamento de fiança. Ele foi detido na segunda-feira (23), em Londres, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público devido aos seus vínculos com Jeffrey Epstein.
Escolhido pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, como embaixador em dezembro de 2024, Mandelson foi demitido em setembro de 2025 depois que parte dos documentos do caso Epstein veio à tona e mostrou que o diplomata manteve amizade com o abusador mesmo depois da condenação por prostituição de menores, em 2008.
O caso, entretanto, ganhou novas proporções depois que o Departamento de Justiça dos EUA publicou mais documentos em janeiro. Neles, ficou comprovado que Mandelson compartilhou informações sigilosas do governo britânico com Epstein na época em que era secretário para Negócios e Comércio do governo do trabalhista Gordon Brown (2007-2010).
Após as novas revelações, a polícia anunciou a abertura de uma investigação contra o ex-embaixador britânico. Mandelson foi preso, e a polícia anunciou buscas em duas residências dele, uma no bairro londrino de Camden e a outra em Wiltshire, sudoeste da Inglaterra.
Segundo a corporação, ele foi interrogado e liberado sob investigação.
Mandelson foi preso quatro dias após a prisão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor. O irmão do rei Charles 3º também é suspeito de má conduta no exercício de cargo público por supostamente ter repassado informações confidenciais ao financista americano quando era representante especial do Reino Unido para o comércio, de 2001 a 2011.
Os arquivos também revelaram que o marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva, recebeu £ 10 mil (R$ 71 mil) do bilionário americano. Após o escândalo, o ex-embaixador britânico anunciou sua aposentadoria da Câmara dos Lordes.
Starmer disse que Mandelson “decepcionou seu país” com a relação com Epstein. O premiê afirmou ao seu gabinete que estava horrorizado com as revelações.
Emails revelaram que Silva, o marido do ex-embaixador, recebeu várias transferências de Epstein em 2009 e 2010 para ajudá-lo a seguir seu sonho de se tornar osteopata. Não foi detalhado o montante total nem o período exato em que os pagamentos ocorreram.
Mandelson também foi um dos arquitetos do renascimento do Partido Trabalhista como força eleitoral nos anos 1990, sob Tony Blair. Ele se desfiliou do partido no domingo (22).
Uma condenação por má conduta em cargo público pode resultar em pena máxima de prisão perpétua e deve ser julgada em um tribunal que trata crimes mais graves.
A relação de Mandelson com Epstein é mais um capítulo do escândalo envolvendo figuras de alto escalão do governo no Reino Unido. Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Starmer, renunciou neste mês.




