O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta-feira (25) que a proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra está sendo avaliada por autoridades da República Islâmica em Teerã, embora mais cedo a TV estatal do país persa tenha dito que o regime havia rejeitado o plano americano.
O ministro iraniano disse também, no entanto, que trocas de mensagens através de mediadores “não significam negociações com os EUA”. Ele afirmou que o regime não tem intenção de abrir diálogos diretos com Washington.
A declaração foi dada à TV estatal do país persa, e concede pela primeira vez sinal de materialidade às afirmações recentes do presidente Donald Trump de que a Casa Branca havia enviado a Teerã uma proposta para o fim do conflito, que se aproxima de um mês de duração.
Até aqui, o regime havia negado qualquer contato do tipo, mesmo via mediadores. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari, também em fala na TV estatal, disse mais cedo que Trump estava “negociando consigo mesmo” e negou a possibilidade de uma trégua no curto prazo.
Os EUA teriam enviado ao Irã uma proposta com 15 pontos através do Paquistão, mas a lista de propostas e demandas não foi publicamente discutida ou explicada por nenhum dos envolvidos. Araghchi disse que os EUA têm enviado mensagens por diferentes mediadores.
O chanceler iraniano afirmou ainda que os EUA falharam em proteger países vizinhos a despeito de possuírem bases militares na região. Parte importante da estratégia de reação de Teerã após os ataques foi atingir nações árabes do Golfo que se encaixam nessa descrição, casos de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Kuwait e Iraque.
Araghchi também disse que o Irã deseja um fim permanente para o conflito e compensações pela destruição causada pelos ataques de EUA e Israel.
Segundo a agência Reuters, citando seis fontes anônimas familiarizadas com a posição diplomática iraniana atual, uma das condições delineadas por Teerã é que qualquer cessar-fogo seja estendido para o Líbano, hoje alvo de ataques e ocupação por parte de Israel, que por sua vez é alvo de foguetes do grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo regime iraniano.
De acordo com uma autoridade política de Teerã, citada como fonte da emissora iraniana Press TV, o regime estaria exigindo também o estabelecimento de mecanismos concretos para que eventual cessar-fogo não seja quebrado e o reconhecimento da soberania do Irã sobre o estreito de Hormuz.




