O governo mexicano afirmou ter matado o chefe de cartel mais procurado do país neste domingo (22), uma grande vitória em sua nova ofensiva contra grupos criminosos, o que pode ajudar a reduzir a pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vinha ameaçando realizar ataques no México.
A operação desencadeou uma rápida onda de violência em todo o México. Em pelo menos cinco estados, incluindo Jalisco, moradores e autoridades locais relataram veículos em chamas bloqueando ruas, uma tática comum dos cartéis de drogas para intimidar a população.
Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, era o líder de longa data de um dos cartéis mais poderosos do México, o Jalisco Nova Geração. Oseguera era considerado um dos criminosos mais violentos do país —os EUA ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões (R$ 78 milhões) por informações que pudessem levar até ele.
O Exército afirmou em um comunicado que o criminoso de 59 anos ficou ferido em um confronto com militares na localidade de Tapalpa, uma cidade de cerca de 20 mil habitantes, no estado costeiro ocidental de Jalisco, onde seu cartel foi fundado e está sediado. Ele morreu “durante seu traslado por via aérea à Cidade do México”, de acordo com o Exército.
No total, sete criminosos morreram e três militares ficaram feridos. Além disso, dois integrantes da gangue foram detidos e diversas armas foram apreendidas, como lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados, ainda segundo o Exército.
O criminoso comandava uma gangue que se expandiu rapidamente na última década, produzindo e vendendo drogas e extorquindo empresas locais. Também construiu uma reputação por ataques ousados contra forças de segurança e por aterrorizar comunidades em todo o país.
Com a onda de violência, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu à população que mantivesse a calma. “Existe absoluta coordenação com os governos de todos os estados”, disse ela na rede social X.
Homens armados bloquearam com carros e caminhões incendiados diversas vias de Jalisco. À tarde, eram visíveis restos de veículos carbonizados e outros ainda em chamas em várias rodovias, em meio ao som das sirenes das forças de segurança.
O estado de Jalisco informou que suspendeu o transporte público em algumas áreas e alertou hotéis para instruírem seus hóspedes a permanecerem dentro dos estabelecimentos. Parte da violência ocorreu em Guadalajara, capital de Jalisco, que é uma das cidades-sede da Copa do Mundo da Fifa deste ano —o torneio também é sediado pelos EUA e pelo Canadá.
Os bloqueios e a queima de lojas e estabelecimentos também se estenderam ao balneário de Puerto Vallarta, outra cidade turística do país, ao estado vizinho de Michoacán e aos estados de Puebla (centro), Sinaloa (noroeste), Guanajuato (centro) e Guerrero (sul).
Partidas de futebol dos campeonatos masculino e feminino e da segunda divisão foram suspensas, e companhias aéreas do Canadá e dos Estados Unidos cancelaram dezenas de voos para o México.
O grupo criminoso comandado por Oseguera se tornou nos últimos anos uma das principais organizações de tráfico do México, enfrentando rivais em vários estados enquanto transportava drogas sintéticas, incluindo cocaína, metanfetamina e, nos últimos anos, fentanil para os EUA.
Sua morte é um golpe significativo para o grupo e pode desencadear tanto disputas internas de poder quanto mais violência, à medida que facções competem pelo controle.
Também é provável que a ação melhore as relações da Cidade do México com Washington. Trump vinha pressionando o país vizinho a combater os cartéis com mais força e ameaçando ataques militares contra os grupos caso não ficasse satisfeito com os resultados.
Sheinbaum rejeita essa proposta, afirmando que quaisquer ataques americanos violariam a soberania do seu país. Ao mesmo tempo, seu governo ampliou a cooperação com agências de segurança dos EUA, inclusive em inteligência.
O Exército mexicano afirmou que, para a execução da operação, “além dos trabalhos de inteligência militar central (…) contou-se com informações complementares” por parte das autoridades americanas.
Como era de se esperar, o governo Trump aplaudiu a operação. “Este é um grande marco para o México, os EUA, a América Latina e o mundo. (…). Os bons somos mais do que os maus. Parabéns às forças da lei da grande nação mexicana”, disse na rede social X Christopher Landau, subsecretário de Estado.




