China barra compra de IA pela Meta – 29/04/2026 – Mundo

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A China ordenou a reversão da compra da startup de inteligência artificial Manus pela Meta, dona do Facebook e Instagram. A ordem partiu da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês) e foi publicada na segunda-feira (27).

O regulador exigiu que as partes desfaçam a transação, avaliada em mais de US$ 2 bilhões (R$ 11,4 bilhões). É a primeira vez que Pequim ordena a reversão de uma aquisição transfronteiriça de IA já concluída.

Lançada em março de 2025 pela Butterfly Effect, startup fundada em Wuhan, a Manus é um agente de inteligência artificial autônomo. Diferentemente de chatbots como o ChatGPT, ela planeja, navega na internet, manipula arquivos e gera código sem supervisão humana.

A ferramenta superou modelos da OpenAI em testes internacionais de resolução de problemas. Tanto sucesso fez a imprensa estatal chinesa celebrar a empreitada como a próxima DeepSeek, referência nacional em IA generativa.

Os problemas com o governo começaram quando os fundadores, o CEO, Xiao Hong, e o cientista-chefe, Ji Yichao, decidiram transferir a empresa para Singapura. A operação envolveu demissões na China, fechamento de escritórios e bloqueio de acessos vindos do país.

A empresa passou a ser apresentada singapurense para atrair capital americano e fugir das regulações chinesas.

A Benchmark Capital, fundo do Vale do Silício, liderou um aporte de US$ 75 milhões em maio de 2025 e, em dezembro, a Meta anunciou a compra da plataforma. As equipes foram integradas em semanas e mais de 100 funcionários passaram para os escritórios da Meta em Singapura.

Nem a big tech americana ou a Manus pediram autorização ao governo chinês para a venda.

Pequim reagiu em janeiro de 2026. O Ministério do Comércio abriu investigação sobre a conformidade do negócio com leis de exportação de tecnologia e investimento estrangeiro.

Em março, os dois fundadores foram convocados a Pequim pela NDRC e após os encontros, receberam a proibição de deixar o país. Desde então, não puderam se juntar às operações globais da Meta.

O governo chinês argumenta que a origem da tecnologia, do talento e dos dados da Manus é chinesa e a mudança de sede para Singapura não alteraria a jurisdição de Pequim sobre esses ativos.

O Global Times, jornal ligado ao Partido Comunista, publicou nesta terça-feira (28) que a questão não era onde a empresa está registrada, mas a extensão dos vínculos com a China em tecnologia, talento e dados.

Por que importa: o caso Manus testa um princípio novo na disputa tecnológica entre EUA e China, com Pequim reivindicando jurisdição sobre tecnologia desenvolvida por talentos chineses mesmo quando a empresa opera fora do país.

O mecanismo espelha, do lado chinês, o que o Comitê de Investimentos Estrangeiros nos EUA (CFIUS, na sigla em inglês) faz ao barrar investimentos por razões de segurança nacional. A diferença é que a China aplicou o instrumento de forma retroativa, sobre um negócio já concluído.

Se esse modelo se consolidar, startups com qualquer vínculo original com a China enfrentarão um risco regulatório duplo. Washington pode bloqueá-las por considerar seus laços chineses muito fortes e Pequim pode fazer o mesmo por tentarem afrouxar relações.


pare para ver

Obra de Miao Ying, uma artista chinesa que traz a estética de videogames para o trabalho artístico. Ela também é famosa por uma série de pinturas produzidas em parceria com chatbots de IA.


o que também importa

★ Taiwan recebeu tanques dos EUA. No domingo, 28 blindados M1A2T Abrams desembarcaram em Taipei, o que concluiu um dos maiores contratos de defesa entre os dois países, estimado em US$ 1,29 bilhão. A maioria dos tanques será posicionada no norte da ilha para defender acessos à capital em caso de uma possível invasão de tropas da China continental.

★ Pequim criticou declarações do Japão e da União Europeia sobre o Mar do Sul da China. O vice-chanceler japonês expressou preocupação com a situação na região e se opôs a mudanças no status quo pela força enquanto o representante da UE disse que as tensões prejudicam uma rota marítima essencial. O embaixador-adjunto chinês Sun Lei chamou as falas de “infundadas” e acusou Tóquio de provocar tensões no Estreito de Taiwan e expandir suas Forças Armadas no que classificou como o “ressurgimento do militarismo japonês”.


fique de olho

Membros da Academia Chinesa de Ciências criaram um novo tipo de bateria feita de ferro que pode baratear drasticamente o armazenamento de energia solar e eólica. O estudo foi publicado na revista Advanced Energy Materials em abril.


A descoberta promove avanços no setor. Isso porque painéis solares só geram energia de dia e turbinas eólicas só funcionam quando venta. Para que essas fontes abasteçam cidades inteiras de forma confiável, é preciso guardar a eletricidade que sobra e liberá-la quando a produção cai.

Hoje, as baterias mais usadas para isso são de lítio, um mineral caro e concentrado em poucos países. O ferro custa cerca de 80 vezes menos e a nova bateria chinesa funcionou por mais de 6.000 ciclos de carga e descarga sem perder capacidade, o equivalente a mais de 16 anos de uso diário.

Versões anteriores falharam porque o material interno se degradava rápido. A equipe resolveu o problema com uma molécula que protege o interior da bateria contra desgaste.

Empresas e universidades nos EUA trabalham em tecnologias parecidas, mas enfrentam dificuldades técnicas diferentes. A americana ESS Tech, por exemplo, tenta há anos lançar uma versão comercial de uma bateria de ferro, mas ainda não superou todos os obstáculos de escala e durabilidade.

Por que importa: a China já domina a fabricação de painéis solares e de baterias de lítio, os dois pilares da energia limpa no mundo. Uma bateria de ferro barata e durável seria um avanço, com a possibilidade de armazenamento da energia para uso contínuo. Se a tecnologia chinesa chegar ao mercado antes das alternativas ocidentais, países que estão montando suas redes de energia renovável podem depender de Pequim em toda a cadeia, da geração ao armazenamento.


para ir a fundo

O CEBC realiza no dia 7 de maio o lançamento da sua pesquisa anual que rastreia investimentos chineses no Brasil. O evento será online e os interessados podem se inscrever aqui.

A Tsinghua, em parceria com a UFRJ, a Universidade do Chile e a Universidade do Pacífico no Peru, lançou nesta semana o Desafio China-América Latina para Redução da Pobreza. A competição quer ouvir soluções criadas por estudantes da China e da América Latina que contribuam para a redução da pobreza global por colaboração intercultural. Os vencedores vão ganhar uma viagem de estudos para a China. Saiba mais aqui.



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