A Colômbia concedeu asilo diplomático à advogada venezuelana María Alejandra Díaz, uma opositora do regime de Nicolás Maduro que está refugiada desde janeiro na embaixada colombiana em Caracas.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (6) pelo Ministério das Relações Exteriores.
O governo do presidente de esquerda Gustavo Petro concedeu em janeiro o asilo a Díaz, antiga funcionária do alto escalão do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) “por motivos políticos”, de acordo com o comunicado da chancelaria.
Bogotá não havia tornado pública essa decisão até agora. Díaz diz ser “vítima de perseguição por motivos políticos e ideológicos por parte do Estado venezuelano”, acrescenta a nota.
A ativista revelou sua situação na terça-feira (5), quando denunciou em suas redes sociais que o regime de Nicolás Maduro se nega a conceder-lhe um salvo-conduto para sair da Venezuela.
Segundo a opositora, um recente relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) revelou um “padrão de perseguição” direcionado a ela.
A chancelaria colombiana lamentou que Díaz tenha revelado a informação “descumprindo as condições pactuadas no momento da concessão do asilo diplomático”. No entanto, o país afirmou que “continuará oferecendo a devida proteção e condições adequadas de sua permanência” na embaixada em Caracas.
Díaz e o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, líder de uma oposição mais moderada que está preso desde janeiro, apresentaram um recurso ao Tribunal Supremo de Justiça para que os resultados da eleição de julho de 2024 fossem auditados.
O pleito, que reelegeu Maduro, foi contestado internacionalmente devido a evidências de fraude. Os documentos dos opositores, checados por mais de um instituto independente, apontam para a vitória do principal adversário do ditador, Edmundo González.
Após o anúncio dos resultados, protestos foram desencadeados em várias cidades do país. Os atos foram fortemente reprimidos pela polícia. Segundo a ONG Foro Penal, com sede em Caracas, atualmente há mais de 800 presos políticos na Venezuela.
Colômbia e Venezuela mantêm relações ambivalentes desde a eleição.
Bogotá não reconheceu a vitória, mas manteve abertos os canais diplomáticos com o país vizinho. Maduro declarou que cerca de 50 colombianos acusados de serem “mercenários” estão presos na Venezuela. A diplomacia colombiana pede sua libertação.




