Como será o amanhã olímpico do Brasil? – 11/08/2024 – Daniel E. de Castro

Como será o amanhã olímpico do Brasil? - 11/08/2024 -


O quadro de medalhas é a métrica mais usada para decretar o sucesso ou o fracasso de uma campanha olímpica. Ele está em todas as mídias, é de fácil leitura e baseado em números, que em tese não mentem —mas podem ser cruéis.

Medalhas vêm, vão ou mudam de cor graças a uma posição, um passo fora do tablado, alguns centésimos e até ondas que teimam em não aparecer.

Analisar o trabalho de centenas de atletas e outros profissionais com base numa tabela tem limitações. Ao mesmo tempo, se os recordes do Brasil costumam ser celebrados, como aconteceu nos Jogos do Rio-2016 e de Tóquio-2021, é justo que uma queda de desempenho —ainda que pequena— provoque cobranças e reflexões.

Em Paris-2024, a baixa mais notável foi no número de ouros: 3, ante os 7 das últimas duas edições. No total de medalhas, a média foi mantida: 20, depois de 19 no Rio e 21 em Tóquio.

Poderia ser uma a mais, uma a menos…

Ginástica artística e judô cresceram. O boxe piorou. A natação, não é de hoje, precisa rever tudo.

No geral, a campanha brasileira ficou dentro do esperado. Já se sabia que as chances de ouro eram raras. Duda e Ana Patrícia confirmaram as expectativas. Gabriel Medina, Rayssa Leal e Beatriz Ferreira levaram o bronze. No caminho inverso, Rebeca Andrade e Beatriz Souza desbancaram favoritas para serem campeãs.

É válido refletir sobre o que poderia ser feito para buscar mais ouros, mas, muitas vezes, a cor da medalha é circunstancial. Olhar para o total delas permite análises mais amplas sobre o estágio atual do esporte brasileiro.

A primeira vez que as conquistas do Brasil chegaram a dois dígitos foi em Atlanta-1996, com surpreendentes —para a época— 15. Não era uma marca condizente com os investimentos de então, como mostraram as edições seguintes: 12 em Sydney-2000 e 10 em Atenas-2004. Curiosamente, na Grécia foram cinco ouros, metade do total.

O patamar subiu para 17 em Pequim-2008 e Londres-2012 e agora se consolida na casa das 20.

Dois fatores principais ajudam a explicar essa curva. A Lei Piva, do começo do século, alavancou o investimento público no esporte ao direcionar parte da arrecadação das loterias para algumas entidades, entre elas o Comitê Olímpico do Brasil (COB). Essa política se mantém como principal motor do alto rendimento no país.

Hoje, o COB não tem problemas para investir no pelotão de elite, independentemente da modalidade. Por isso, brasileiros brigam por medalhas e acumulam resultados inéditos na canoagem slalom, no tênis de mesa, no tiro com arco, entre outros.

Ter sediado os Jogos em 2016 também garantiu verbas que ajudaram a impulsionar atletas até aqui, por exemplo, com a contratação de treinadores de referência e a construção de centros de treinamento de ponta. Isaquias Queiroz e Rebeca Andrade (que juntos somam 11 medalhas desde 2016) são talentos lapidados por esses investimentos.

Programas como o Bolsa Atleta (de 2005) e a inclusão de esportistas nos quadros das Forças Armadas (a partir de 2008) também contribuem pontualmente. O governo federal, porém, historicamente escolhe ser coadjuvante nesse processo, ao não olhar para a massificação do esporte no país como política pública.

Nesse cenário, as últimas três Olimpíadas parecem ter indicado um teto para a evolução brasileira nos Jogos. O país investiu no topo da pirâmide e colheu os frutos. O ciclo de Los Angeles será um teste para saber se o legado de 2016 é sustentável ou corre risco de desaparecer com o tempo.

Manter esse patamar de resultados, com algumas medalhas a menos ou a mais, parece ser o futuro olímpico brasileiro. Pelo menos hoje, nada tem sido feito para ir além disso.


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