
Em todo o mundo, 45 milhões a mais de pessoas podem passar à lista de situação de fome aguda por causa de interrupções em operações de ajuda humanitária. O alerta partiu do vice-chefe do Programa Mundial de Alimentos, Carl Skau. A previsão dele refere-se ao conflito se arrastar até junho deste ano.
Segundo Skau, a guerra no Oriente Médio está levando a um patamar grave jamais visto desde a pandemia de Covid19.
O apelo para o fim do conflito, que começou em 28 de fevereiro após Israel e Estados Unidos atacarem o Irã e o Irã contra atacar Israel e os países do Golfo Pérsico, foi feito pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
A ONU pediu o respeito e a implementação de todas as resoluções do Conselho de Segurança relativas ao fim dos conflitos no Oriente Médio, incluindo a resolução 2817, que exigiu o fim dos ataques do Irã contra os Estados vizinhos.
Skau ressalta que além das consequências imediatas no Líbano, o conflito também causou grandes efeitos indiretos nas operações humanitárias globais. As cadeias de suprimento do WFP, por exemplo, estão à beira da suspensão mais grave também desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
O WFP está apoiando famílias deslocadas com refeições quentes em Beirute, Líbano
Os prazos de entrega estão mais lentos, houve um aumento nos custos dos alimentos. Skau contou que a entrega aumentou 18% até o momento e milhares de caminhões tomam a estrada todos os dias para levar ajuda.
Com o aumento do preço dos combustíveis, a agência tem menos dinheiro para comprar comida ou para fornecer aos beneficiários com vales ou cupons de alimentação.
A crise levou a agência da ONU a cortar as rações alimentares para pessoas em situação de fome no Sudão e só consegue apoiar uma em cada quatro crianças gravemente desnutridas no Afeganistão – atualmente a pior crise de desnutrição do mundo.
O vice-chefe do PMA afirma que a grande preocupação está relacionada à interrupção dos mercados globais de fertilizantes, “justamente quando a África Subsaariana se prepara para a época de plantio”. E um quarto do fornecimento mundial de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz, que está agora paralisado.
Skau enfatizou que o aumento nos custos globais de alimentos e combustíveis “pode deixar milhões de famílias sem acesso a alimentos básicos, principalmente em países dependentes de importações, como a África Subsaariana e a Ásia”.
Alimentos são distribuídos a famílias deslocadas que se refugiam em uma escola em Tariq Jdide, Beirute.
Enquanto isso, os efeitos humanitários da interrupção do tráfego aéreo continuam a ser sentidos de forma aguda no Líbano, um dos epicentros do conflito, como informou o vice-representante da ONU no país, Imran Riza, a repórteres em Genebra.
Desde o início do conflito, a agência recebia ajuda do Kuwait e de países do Golfo como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã e Bahrein. Mas agora essa ponte aérea foi desfeita, segundo Riza.
O deslocamento e as necessidades humanitárias em todo o Líbano aumentaram como resultado dos ataques aéreos israelenses e das ordens de deslocamento que abrangem porções cada vez maiores do território da pequena nação do Oriente Médio.
Riza afirma que 132.700 pessoas estão abrigadas em cerca de 622 centros de acolhimento, mas o número total de pessoas que tiveram que fugir de suas casas provavelmente ultrapassa um milhão. O que equivale a quase 20% de todos os libaneses. As ordens de evacuação se aplicam ao sul do Líbano, aos subúrbios do sul de Beirute e a partes do Vale do Becá.
Cerca de 70% dos deslocados não estão em abrigos, o que cria desafios para os trabalhadores humanitários que tentam chegar até eles. Muitos são idosos com problemas de locomoção.
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