Conheça o grupo militar linha-dura que comanda o Irã – 23/05/2026 – Mundo

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Quando o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã durante 37 anos, foi morto por Israel em 28 de fevereiro, no ataque aéreo que deu início à guerra contra a República Islâmica, ele foi sucedido por seu filho, Mojtaba.

Mas, aos 86 anos, o aiatolá exercia um nível de influência que nenhum substituto poderia igualar tão cedo.

Autoridades iranianas de alto escalão afirmam que todas as questões importantes são conduzidas pelo herdeiro de Khamenei, de 56 anos. A tomada de decisões, no entanto, vai além de um único homem, dizem especialistas, sendo guiada por um pequeno e seleto grupo de comandantes seniores, atuais ou antigos, da Guarda Revolucionária.

Não é a Guarda como organização que está exercendo o controle, dizem eles, mas uma “irmandade” rígida, cuja experiência formadora foi a guerra de oito anos entre Irã e Iraque, na década de 1980.

Fundada em 1979 para proteger a revolução recém-nascida e seu líder, a Guarda promoveu esses comandantes a generais quando ainda tinham entre 20 e 30 e poucos anos. O apoio ocidental ao Iraque na guerra os convenceu de que o Irã precisava seguir seu próprio caminho, não importando o custo.

Após a guerra, eles passaram a controlar os serviços de inteligência e segurança. Acredita-se que a maioria tenha alguma conexão pessoal com Mojtaba Khamenei, dos longos anos em que ele dirigiu o gabinete de seu pai.

Esses homens estão entre as figuras mais linha-dura do país —militantes não apenas em termos de perpetuar a Revolução Islâmica, mas também dos métodos severos que defenderam enquanto comandavam os principais órgãos de repressão do regime.

Suas origens, carreiras e perspectivas ideológicas compartilhadas são uma das razões pelas quais a guerra não derrubou nem paralisou o regime, apesar das mortes de cerca de 50 líderes políticos e militares de alto escalão, segundo especialistas.

Qualquer disputa que possa estar ocorrendo entre essas figuras centrais sobre buscar ou não um fim pragmático para o conflito permanece opaca. Alguns evitavam os holofotes mesmo antes da guerra. Agora permanecem escondidos por medo de serem alvos.

Aqui estão algumas das figuras mais poderosas do Irã hoje.

Mohammad Bagher Ghalibaf, 64

Presidente do Parlamento iraniano desde 2020, Ghalibaf serviu como comandante da Força Aérea da Guarda e chefe da polícia nacional, além de prefeito de Teerã.

Ghalibaf certa vez se gabou de que, durante manifestações contra o regime em 1999, apesar de sua patente, havia andado na garupa de uma motocicleta como um miliciano comum para bater em manifestantes com paus.

Em 2004, ele concorreu à Presidência e tentou mudar sua imagem. “Ele apareceu no dia da eleição parecendo Don Johnson em ‘Miami Vice'”, vestindo um terno branco e óculos escuros em vez de seu uniforme, disse Afshon Ostovar, autor de “Vanguard of the Imam” [Vanguarda do Imã], uma história da Guarda. Foi uma tentativa fracassada de atrair eleitores de classe média e fez alguns apoiadores conservadores suspeitarem de suas ambições.

Ghalibaf é uma espécie de ponte entre a elite política e militar. Considerado uma figura pragmática, ele negociou diretamente com os Estados Unidos no Paquistão no mês passado. Alguns críticos suspeitam que ele busca um acordo de paz que o transforme em um homem forte iraniano.

Ahmad Vahidi, 67

Vahidi é um ex-oficial de inteligência que assumiu a Guarda em março, depois que ataques aéreos americanos e israelenses mataram seu antecessor. General veterano e bélico, ele serviu anteriormente como ministro da Defesa e ministro do Interior.

Vahidi ganhou destaque em 1988 como o primeiro comandante da Força Quds, que criou braços armados iranianos na região, como o Hezbollah no Líbano. Suspeita-se que ele tenha incorporado o terrorismo no DNA dessas organizações.

Entre os ataques ocorridos sob seu comando estão o bombardeio de do centro comunitário judaico Amia em Buenos Aires, na Argentina, em 1994, que deixou 85 mortos, e um caminhão-bomba contra um quartel da Força Aérea dos EUA em Dhahran, na Arábia Saudita, em 1996, matando 19 militares. O Irã negou repetidamente envolvimento em ambos os ataques.

Gholam Hossein Mohseni-Ejei, 69

Chefe do judiciário iraniano desde 2021, Mohseni-Ejei tem reputação de juiz implacável que há muito usa os tribunais para sufocar a dissidência, incluindo uma torrente de execuções recentes de participantes de protestos contra o regime no início deste ano.

Mohseni-Ejei era ministro da Inteligência durante os protestos após a eleição presidencial de 2009. A percepção pública de uma votação fraudulenta alimentou o Movimento Verde, uma onda nacional de manifestações que seu ministério ajudou a esmagar por meio de prisões, torturas e execuções. Ele foi alvo de sanções tanto dos EUA quanto da União Europeia.

Hossein Taeb, 63

Taeb é um clérigo muçulmano xiita que comandou a brutal milícia Basij e depois operações de contrainteligência do regime, antes de chefiar a própria organização de inteligência da Guarda de 2009 a 2022. Notória por esmagar a dissidência, a organização durante seu mandato também prendeu, para depois exigir resgate ou outras trocas, numerosos iranianos-americanos e outros cidadãos com dupla nacionalidade, conforme detalhado em relatórios tanto do Etemad, um jornal diário iraniano, quanto da Human Rights Watch.

A violência do regime durante os protestos de 2009 provocou críticas públicas, com um parlamentar escrevendo em comentários publicados online: “Quando colocamos a gestão da crise recente nas mãos de indivíduos como Taeb, que estão mais familiarizados com o cassetete do que com o pensamento, a razão e a prudência, o resultado será exatamente este”.

Mohammad Ali Jafari, 68

Jafari, um general de duas estrelas, foi conselheiro militar do antigo líder supremo. Agora sem função oficial, ele comandou a Guarda de 2007 a 2019, um dos mandatos mais longos.

Anteriormente, ele havia participado de uma incursão flagrantemente pública de duas dúzias de comandantes da Guarda na vida política, ameaçando o então presidente Mohammed Khatami com uma carta em 1999 exigindo que os protestos estudantis fossem reprimidos.

Estrategista, Jafari, conhecido como Aziz, é creditado por desenvolver a “estratégia mosaico” de comando descentralizado, que permitiu à força continuar lutando na guerra atual mesmo com muitos comandantes-chave sendo mortos.

Mohammad Bagher Zolghadr, 72

Zolghadr é um exemplo claro do que analistas consideram a fusão dos militares com a classe política. Vice-comandante da Guarda e ex-vice-ministro do Interior com reputação linha-dura, ele foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional em março, substituindo Ali Larijani, uma figura conservadora proeminente que foi morta.

O conselho, que reúne altos funcionários militares e civis, formula a política de segurança e externa. A nova posição de Zolghadr envolve garantir que os braços político, militar, de segurança e judicial do regime operem em conjunto.



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