Copa serviu de alívio para estrangeiros em NY – 19/07/2026 – Esporte

17843846876a5b8caf448e8_1784384687_3x2_rt.jpg


Na cidade de Nova York, espécie de capital da migração nos Estados Unidos a uma hora do estádio da final da Copa do Mundo, a competição serviu de alívio e conforto para os imigrantes. Coube a muitos deles darem o tom do ânimo para o mundial no país.

Em uma região onde é outro futebol, o americano, aquele que mais faz sucesso, a chegada da Copa reaproximou imigrantes de suas paixões de infância e proporcionou mais momentos com pessoas da mesma nacionalidade para assistir aos jogos.

Deu-lhes, também, algum alívio e lazer em um momento de tensão para boa parte da comunidade estrangeira devido às políticas da Casa Branca que visam a limitar as possibilidades migratórias.

Há 12 anos em Nova York, Enrique Pacheco, 36, residente do Brooklyn, diz que reviveu memórias de infância há muito não resgatadas. “Obviamente sempre sentimos saudade do nosso país natal, nunca estaremos completos estando longe; quando queria escapar das tarefas da escola, eu fugia para a rua para jogar futebol”, diz ele.

Enrique é da Guatemala, país da América Central que nunca se classificou para a Copa do Mundo. O futebol, ainda assim, é o esporte de maior paixão no país. E, se é para torcer por alguém, esse profissional da área de vendas decidiu escolher o “irmão maior”, o vizinho México —eliminado pela Inglaterra por 3 a 2 nas oitavas de final e justamente em casa, no majestoso estádio Azteca.

“Me juntei com amigos para ver os jogos, sempre levávamos papitas e, quando estávamos em horário de trabalho, dávamos um jeito de ficar online acompanhando sem o chefe ver”, ri. Há mais de 31 mil guatemaltecos que vivem em Nova York.

É impossível pensar a dinâmica da cidade —e de toda a Região Metropolitana de Nova York— sem considerar os imigrantes. Os dados oficiais mais recentes, de três anos atrás, mostram que 37,5% dos mais de 8,2 milhões de habitantes da cidade nasceram no exterior (nos EUA, essa cifra é de 14,3%).

Há ainda a presença daqueles chamados de segunda ou terceira geração: filhos e netos de imigrantes que nasceram e cresceram na cidade. Muitos, ainda que isso não seja uma regra, conseguem se assimilar à cultura americana ao mesmo tempo em que preservam as tradições de seus pais e avós. E o futebol, no caso de muitas culturas, tende a ser parte da tradição.

Nova York é repleta de regiões como “Little Egypt” e “Little Senegal”, enclaves étnicos que concentram, em maiores ou menores porções, imigrantes de uma nacionalidade específica. Há poucas semanas, o prefeito Zohran Mamdani divulgou um mapa reunindo-as. Eram 30 “little…”, a maioria delas no Queens, que concentra a maior parte dos imigrantes, em especial os de origens latina e asiática.

A Copa também reconectou imigrantes com sua cultura. O advogado tributário Fernando Lujan, é mexicano, mas mora em Midtown, em Manhattan, desde 2024. “Me lembrei de como os mexicanos fazem festa por tudo; ganhamos na estreia e já celebrávamos. A nostalgia cresce demais.”

Neste momento em que se intensifica a política anti-imigratória do governo de Donald Trump, Nova York ainda funciona como uma espécie de cidade-santuário. A denominação se refere a locais com políticas traçadas para acolher imigrantes em situação irregular.

Quando assumiu a Prefeitura, Mamdani reafirmou o compromisso de fazer de Nova York uma cidade-santuário. Prometeu que as agendas de segurança da cidade não compartilhariam informação com o ICE, a polícia migratória federal, e proibiu agentes federais de entrarem em propriedades da cidade sem mandado judicial.

Em muitas outras partes do país, organizações de direitos humanos relataram que os agentes aproveitaram eventos relacionados à Copa para realizar ações e prender imigrantes, ainda que o Departamento de Segurança Interna, ao qual o ICE responde, tenha dito que não usaria o mundial para realizar ações policiais em larga escala.

Em diversos discursos públicos, a atual administração democrata da cidade de Nova York defendeu os imigrantes.

“Por trás dos grandes eventos da Copa há milhares de trabalhadores de hotéis, taxistas, funcionários dos estádios e muitos outros. Muitos deles são imigrantes, e nós temos a responsabilidade de garantir que eles saibam seus direitos como trabalhadores e consumidores”, disse a vice-prefeita para Justiça Econômica, a advogada Julie Su, durante um evento de conscientização do tema em junho.



Source link

Leia Mais

Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi

Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi da Copa

julho 19, 2026

naom_5c713767db14c.webp.webp

Gustavo Gómez foge à regra e terá renovação por longo período no Palmeiras

julho 19, 2026

Tempo seco intensifica risco de queimadas no interior paulista

Tempo seco intensifica risco de queimadas no interior paulista

julho 19, 2026

naom_5b9972951a516.webp.webp

Polícia analisa novas imagens de advogado achado morto após sair de bar na Vila Madalena

julho 19, 2026

Veja também

Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi

Espanha domina Argentina, vence na prorrogação e leva o bi da Copa

julho 19, 2026

naom_5c713767db14c.webp.webp

Gustavo Gómez foge à regra e terá renovação por longo período no Palmeiras

julho 19, 2026

Tempo seco intensifica risco de queimadas no interior paulista

Tempo seco intensifica risco de queimadas no interior paulista

julho 19, 2026

naom_5b9972951a516.webp.webp

Polícia analisa novas imagens de advogado achado morto após sair de bar na Vila Madalena

julho 19, 2026