Crise no Oriente Médio agrava fome nos países mais vulneráveis

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Uma nova análise do Programa Alimentar Mundial, WFP, alerta que a continuação do conflito no Oriente Médio e a manutenção de preços elevados do petróleo poderão agravar a insegurança alimentar e empurrar milhões de pessoas para a fome nos países mais vulneráveis do mundo.

O cenário projetado pelo WFP em março, segundo o qual 45 milhões de pessoas poderiam passar a sofrer com insegurança alimentar aguda, está agora a concretizar-se, alerta a agência das Nações Unidas.

Somália, Sri Lanka e Afeganistão

Intitulado “Segurança alimentar sob pressão: Como a crise no Oriente Médio está a impactar países vulneráveis”, o relatório analisa a insegurança alimentar na Somália, no Sri Lanka e no Afeganistão.

© WFP/Danijela Milic
O Afeganistão enfrenta níveis de desnutrição próximos aos recordes, afetando cerca de cinco milhões de mães e crianças

A agência da ONU documentou mais de 6 milhões de pessoas com dificuldades em satisfazer as necessidades alimentares básicas nestes três países: 2,5 milhões na Somália, 2,3 milhões no Afeganistão e 1,3 milhões no Sri Lanka.

Os choques nos preços dos combustíveis e dos alimentos, as perdas de rendimento e as perturbações no comércio cruzam-se com vulnerabilidades pré-existentes nestes países, aumentando o risco de fome aguda nos agregados familiares.

Números confirmam cenário previsto

O diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do WFP, Jean-Martin Bauer, afirma que estes dados confirmam o cenário previsto pela agência ainda este ano.

Ele alerta que a crise poderia empurrar milhões de pessoas adicionais para a fome. Agora estamos a vê-lo acontecer em tempo real.  E que em muitos casos, as famílias mais pobres do mundo, longe do epicentro da crise, são as mais afetadas. 

A análise sugere que novos grupos populacionais estão a cair na insegurança alimentar. É o caso das populações urbanas extremamente pobres e dos grupos rurais marginalizados, como os pastores na Somália.

Já os países que enfrentam conflitos, choques climáticos e dificuldades económicas, ou que são altamente dependentes de importações, estão entre os mais expostos à crise.

© WFP/Sara Cuevas Gallardo
Suprimentos humanitários são entregues a uma região remota da Somália.

Sistema humanitário global sob pressão

O relatório mostra que o conflito no Oriente Médio está a colocar o sistema humanitário global sob crescente pressão. O WFP estima que irá servir menos 1,5 milhões de pessoas do que o inicialmente previsto em 2026.

Já o impacto total da crise ainda não se fez sentir, realça Bauer. “Mesmo que o conflito terminasse hoje, já foram causados danos irreversíveis e o impacto nos preços, nos meios de subsistência e nas operações humanitárias continuará a fazer-se sentir durante muito tempo”, afirmou.  

A continuidade da crise no Oriente Médio coloca em causa a assistência a mais de 9 milhões de pessoas nos próximos meses. Neste sentido, o PAM alerta que, sem uma ação coordenada e urgente, as famílias mais vulneráveis serão empurradas para uma emergência de fome catastrófica.



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