Milhares de cubanos se reuniram em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana na manhã desta sexta-feira (16) para protestar contra o que denunciaram como agressão americana na região após a captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, um aliado de Cuba.
A tensão entre os dois antigos rivais aumentou desde o ataque dos EUA à Venezuela, que resultou na morte de 32 oficiais militares e de inteligência cubanos que fariam parte da segurança de Maduro, marcando os primeiros confrontos entre forças americanas e cubanas em décadas.
Cubanos agasalhados com chapéus e jaquetas se reuniram no Malecón, o bulevar à beira-mar da capital, agitando bandeiras cubanas e venezuelanas sob céus cinzentos e à frente de um mar agitado.
O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, vestido com traje militar verde-oliva e de costas para a embaixada americana, conclamou os cubanos a permanecerem unidos diante da pressão do adversário.
“Não, imperialistas, não temos absolutamente nenhum medo de vocês, e não gostamos de ser ameaçados”, disse ele, virando-se para apontar para o prédio da embaixada. “Vocês não nos intimidarão.”
Washington e Havana intensificaram a retórica política nos últimos dias, marcando um novo ponto baixo nas relações há muito tempo frias entre os EUA e Cuba, que fica a cerca de 150 km da costa do estado americano da Flórida.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo (11) que petróleo ou dinheiro venezuelano não iria mais para Cuba, advertindo Havana a fazer um acordo antes que fosse “tarde demais”.
Díaz-Canel disse após os comentários de Trump que Cuba defenderia sua pátria “até a última gota de sangue”. Na segunda-feira (12), ele afirmou ainda que não havia negociações em andamento com o governo americano.
“Como a história demonstra, para que as relações entre os EUA e Cuba avancem, elas devem ser baseadas no direito internacional em vez de hostilidade, ameaças e coerção econômica”, disse o líder cubano na ocasião.




