Cúpula termina com crítica aos EUA e à Venezuela – 10/11/2025 – Mundo

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Críticas indiretas aos Estados Unidos por suas ações militares no Caribe e sua política comercial e de imigração marcaram a declaração final da 4ª cúpula UE-Celac, que reuniu 58 países da União Europeia e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. O documento também mandou recado à Venezuela e à Nicarágua, ao defender “eleições livres e transparentes” —representantes de ambos os países não assinaram o texto conjunto.

Sem citar os americanos, a declaração pede “segurança marítima e estabilidade regional no Caribe”, onde o governo de Donald Trump tem bombardeado embarcações sob acusação de ligação com o narcotráfico. O mais recente foi anunciado pelo Pentágono nesta segunda (10), com 6 mortos —contando estas vítimas, já são 75 os que morreram em ataques a barcos por forças americanas.

“Reafirmamos nossa adesão aos princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas, em particular a igualdade soberana dos Estados, o respeito à integridade territorial e de a independência política, a não intervenção em assuntos que são essencialmente da jurisdição interna dos Estados e o arranjo pacífico das controvérsias. Reiteramos nossa oposição à ameaça ou ao uso da força”, diz o texto.

Em 52 pontos, o documento reforça também a necessidade de democracia e diálogo multilateral, cita a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza e sugere reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas “para torná-lo mais representativo” (um ponto que interessa particularmente ao Brasil, que deseja ser membro permanente do órgão). O Uruguai, que assume a próxima presidência rotativa da cúpula, deve propor agora um “mapa do caminho”, com medidas práticas de cooperação em áreas como ação climática, transição energética e combate ao crime organizado.

A ofensiva americana no Caribe foi o tema dominante de várias declarações de líderes antes e durante a cúpula e objeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu discurso na reunião: “A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”.

O parágrafo sobre o assunto, porém, foi o que teve mais ressalvas entre os participantes: sete países, entre eles a Argentina, a Costa Rica e o Equador, se desassociaram desse ponto.

O governo do presidente ultraliberal Javier Milei também não endossou parágrafos sobre o apoio ao fim do embargo a Cuba; o compromisso com uma solução de dois Estados para o conflito entre Gaza e Israel; o pedido de governança ética para inteligência artificial e de combate à desinformação nas redes sociais; e menções a gênero e políticas de sustentabilidade, todos temas caros à Casa Branca, com quem os argentinos negociam um resgate financeiro.

A declaração final dos dois blocos também se dirige aos Estados Unidos, sem citá-los, no capítulo sobre comércio, que trata de “tensões comerciais” que precisam ser reduzidas para “facilitar o comércio internacional e melhorar o acesso ao mercado”, e defende um sistema de negociações multilaterais “baseado em regras”, “aberto, transparente, inclusivo, não discriminatório e previsível, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu núcleo”.

O texto pede ainda “migração regular, segura e ordenada” em conformidade com o direito internacional e cita explicitamente “os processos de retorno”, em referência à política de deportação de imigrantes implementada por Trump.

Em relação a países em conflito político interno, como Venezuela e Nicarágua, a declaração expressa, sem citar nominalmente os países, “compromisso inabalável com a democracia, incluindo eleições livres, inclusivas, transparentes e confiáveis”.

A declaração final foi considerada surpreendentemente ampla após uma cúpula marcada pela ausência de líderes, reflexo de conflitos internos e dos efeitos políticos e econômicos das ações do presidente Donald Trump.

Da América Latina, participaram apenas o anfitrião colombiano, Gustavo Petro, e o próprio Lula. México, Chile e Uruguai enviaram os ministros das Relações Exteriores; Argentina, Paraguai e Peru foram representados por funcionários de grau mais baixo.

Da União Europeia, faltaram a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, e os líderes dos principais países do bloco —o presidente francês, Emmanuel Macron e os primeiros-ministros da Alemanha, Friedrich Merz, e da Itália, Giorgia Meloni. Compareceram os primeiros-ministros da Espanha, Pedro Sánchez, de Portugal, Luís Montenegro, e da Holanda, Dick Schoof, além do presidente do Conselho Europeu, António Costa.

“A América Latina e o Caribe atravessam uma profunda crise em seu projeto de integração. Tornamo-nos, mais uma vez, uma região balcanizada e dividida, mais voltada para o exterior do que para o interior. Vivemos novamente sob a ameaça do extremismo político, da manipulação da mídia e do crime organizado. Como resultado, vamos de reunião em reunião, repletos de ideias e iniciativas que muitas vezes nunca se concretizam. Nossas cúpulas se tornaram um ritual vazio, com a ausência de líderes regionais importantes”, havia dito Lula em seu discurso no início da cúpula.

Em contraste, Costa, que representou a UE no evento, afirmou ao final: “Apesar de termos aqui países com orientações ideológicas muito diferentes, conseguimos chegar a uma posição comum sobre as questões mais críticas do momento”.



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