A Câmara Constitucional do Supremo Tribunal da Venezuela ordenou, neste sábado (3), que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o cargo de presidente interina do país na ausência do ditador Nicolás Maduro, detido na última madrugada em uma operação dos Estados Unidos.
A decisão judicial afirmou que Rodríguez assumiria “o cargo de presidente da República Bolivariana da Venezuela, a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação.”
O ordenamento acrescentou também que o tribunal debaterá o assunto para “determinar o quadro legal aplicável para garantir a continuidade do Estado, a administração do governo e a defesa da soberania diante da ausência forçada do presidente.”
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para um navio militar americano no Caribe e, então, transportados até Nova York, neste sábado, onde responderão a acusações feitas pelo Departamento de Justiça do governo Donald Trump de crimes como narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
A vice-líder do regime venezuelano exigiu a libertação do ditador. Ela reiterou que Maduro é “o único presidente” da Venezuela, que jamais será colônia de qualquer país.
Já o presidente americano, Donald Trump, disse que vai governar a Venezuela e que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder. Ao mesmo tempo, afirmou negociar Rodríguez sobre os próximos passos, não descartando uma invasão aberta contra o país sul-americano.
Delcy Rodríguez nasceu em Caracas, em 18 de maio de 1969. Uma das aliadas mais próximas de Maduro, foi ministra da Comunicação entre 2013 e 2014 e chanceler entre 2014 e 2017. Formada em direito, em 2017 foi presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela.
Em 2018, ao apontá-la como vice, o ditador venezuelano escreveu em uma rede social: “Nomeio como vice-presidente uma jovem mulher, corajosa, aguerrida, filha de mártir, revolucionária e aprovada em mil batalhas.”
Desde 2013, junto com o irmão, Jorge Rodríguez, Delcy ganhou espaço e um lugar privilegiado na chamada “nomenklatura” —expressão soviética para designar a cúpula do poder— venezuelana.




