Desertores armados da Venezuela pedem novo comando militar – 06/01/2026 – Mundo

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Da fronteira com a Colômbia, desertores das Forças Armadas da Venezuela acompanharam atônitos a queda de Nicolás Maduro. Quatro dias depois, temem que nada mude enquanto se mantiver a cúpula militar que acompanhou o ditador deposto e não se instale um “novo comando”.

Considerados traidores pelo chavismo após renunciarem aos seus uniformes há cerca de sete anos, ex-soldados e policiais partiram para exílio. Mas a prisão de Maduro pelos Estados Unidos mudou a situação, e hoje eles consideram retornar.

Agora que o país está sem Maduro, a cúpula militar deveria se afastar, diz à AFP um coronel que pediu para manter sua identidade em sigilo.

Durante uma entrevista de costas para as câmeras para evitar revelar seu rosto, ele afirma que esteve prestes a ser nomeado general do exército, mas pediu baixa em 2018 por discordâncias dos seus superiores.

A detenção de Maduro significou um alívio, dizem os exilados na zona fronteiriça, mas, por enquanto, as mudanças não são substanciais.

O problema é que “os altos comandos são totalmente leais ao regime”, lamenta Williams Cancino, um ex-agente do comando de operações especiais da polícia.

Em contato permanente com seus ex-companheiros e participantes da fuga em massa de desertores, os antigos uniformizados não descartam retornar à Venezuela e contribuir para a instauração de uma nova cúpula militar junto com um novo governo.

“Atualmente a cúpula das Forças Armadas não é mais que um apêndice’ de ‘um regime ditatorial”, acusado de violações aos direitos humanos e outros delitos, diz Cancino. “É necessário um novo alto comando.”

‘Agora sim’

Em 2019, Cancino chegou até a fronteira com um grupo de integrantes das Forças Armadas, caminhou até solo colombiano e entregou sua arma às autoridades.

Diz que seu plano era consolidar um comando capaz de derrubar Maduro depois que o opositor Juan Guaidó se proclamou presidente, em meio a pressões da primeira gestão de Donald Trump contra o chavismo.

Desta vez a esperança é completa, diz: “Agora sim começou a liberdade na Venezuela”.

Os Estados Unidos afirmaram que iriam governar a potência petroleira. Não anunciaram um movimento de tropas nem apoio a comandos alheios às forças militares venezuelanas.

“Esperamos o momento adequado para apoiar o novo governo”, que seja eleito nas urnas, “e a restituição das instituições no país para ‘colocar ordem”, afirma Cancino.

Maduro se declarou inocente por narcotráfico e terrorismo em um tribunal de Nova York. Ao mesmo tempo, militares na Venezuela reconheceram como sua sucessora a vice-presidente Delcy Rodríguez, empossada na segunda-feira (5) como governante interina.

Delcy defendeu uma relação respeitosa com o presidente Donald Trump, que disse estar “no comando” do país. O mandatário americano a advertiu que, “se não fizer o correto”, “vai pagar um preço muito alto”.

Por enquanto, seguem em seus cargos os ministros do Interior Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino, ambos procurados pela Justiça americana.

O ex-detetive Cleberth Delgado é cético quanto a uma transição na Venezuela enquanto se mantiverem os antigos comandos. Estimativas independentes calculam que no país há pelo menos 2.000 generais que se beneficiam de diversos privilégios.

Delgado diz ter sido colaborador de Óscar Pérez, piloto da polícia que em 2017 ficou conhecido por se rebelar contra Maduro. Em 2018, foi assassinado durante operação das forças de segurança.

Hoje os desertores querem “propor ao governo [de Delcy] uma nova instituição” da força pública, diz.

Caso não consigam um acordo, “as armas sempre foram uma opção”, adverte Delgado de uma das casas clandestinas onde se esconde, localizada em um bairro a poucos minutos do rio Táchira, que separa os dois países.

Mas Cancino pondera: “Não queremos conflito e muito menos queremos uma guerra civil, não queremos nos enfrentar entre irmãos”.

Sem Guaidó, que vive nos Estados Unidos, desta vez o ex-policial vê a opositora e Nobel da Paz María Corina Machado como líder, mesmo que em suas primeiras declarações Trump a tenha deixado de lado.



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