A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, apresentou ao rei Frederik 10º uma carta de renúncia ao cargo. A informação foi confirmada pelo palácio real em um comunicado nesta quarta-feira (25).
O afastamento acontece após o Partido Social-Democrata, sigla de Frederiksen, ganhar as eleições legislativas com uma margem apertada. Com 100% das urnas apuradas na última terça-feira, os governistas acumularam 21,9% dos votos, o pior desempenho em mais de cem anos.
Contudo, Frederiksen ainda pode continuar no cargo caso consiga articular a formação de uma coalizão com o Partido Liberal e os Moderados. Em comunicado, a coroa dinamarquesa informou que Frederiksen foi “encarregada” de explorar possíveis coalizões de governo.
Apesar do resultado favorável, a coalizão de esquerda que reúne o Partido Social-Democrata alcançou 84 dos 179 assentos do Parlamento —são necessários 90 para formar maioria. O bloco à direita conquistou 77 cadeiras.
Sozinho, o partido de Frederiksen obteve 38 assentos. Os Moderados, legenda à qual pertence o ministro de Relações Exteriores, Lars Lokke Rasmussen, obteve 7,7% dos votos.
Frederiksen reconheceu o cenário eleitoral fragmentado durante um debate na quarta, afirmando que o resultado descartou a possibilidade de formar um governo tradicional de direita ou esquerda. “Então o que resta é que precisamos cooperar. Essa é a mensagem aqui”, disse ela.
Eleita primeira-ministra da Dinamarca pela primeira vez em junho de 2019, ela foi a segunda mulher na história do país a ocupar o cargo. Hoje, o governo de coalizão é composto pelo Partido Social-Democrata, o Partido Liberal e os Moderados.
Desde 2022, a primeira-ministra lidera uma grande coalizão dos social-democratas, do Partido Liberal de centro-direita e dos Moderados. O líder do Partido Liberal, o ministro Troels Lund Poulsen, disse que não estava mais interessado em governar em coalizão com Frederiksen.
Sem maioria e eleição antecipada
Por outro lado, a eleição dinamarquesa pode ter refletido uma tendência mais ampla de eleitores se afastando de partidos centristas em direção a alternativas anti-imigração e de esquerda. Partidos nacionalistas de direita aumentaram sua participação nos votos para 17%, ante 14,4% em 2022, enquanto o Partido Esquerda Verde também ganhou terreno.
Em entrevista à Folha, Lykke Friis, diretora do think tank dinamarquês Europa, aponta que compor o governo com os moderados não seria necessariamente um problema para Frederiksen, que já fez isso em 2022, quando foi reeleita. “Mas tudo vai depender dos resultados finais e das negociações”, acrescentou a cientista política.
Groenlândia
Para Friis, outro ponto explorado por Frederiksen foi a antecipação das eleições. O pleito, que deveria ter acontecido em outubro deste ano, foi antecipado após a primeira-ministra atingir um pico de popularidade causado pelas declarações do presidente Donald Trump em relação à Groenlândia, território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca.
A Groenlândia tem direito a escolher dois assentos no Parlamento dinamarquês.
Neste ano, o partido Naleraq, que defende a independência da Groenlândia, conquistou sua primeira cadeira nas eleições. O assento será ocupado por Qarsoq Hoegh-Dam, contrário à manutenção de infraestrutura militar dinamarquesa em cidades groenlandesas.
O Naleraq garantiu 24,6% dos votos na Groenlândia nesta terça-feira, um aumento expressivo em relação aos 12,2% obtidos no pleito de 2022.
A segunda vaga da Groenlândia foi conquistada pelo Inuit Ataqatigiit (IA), que se tornou o maior partido local. A atual ministra de Recursos Minerais e Negócios da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, deverá ocupar o cargo.




