Economist: Proibir estrangeiros em universidades é péssimo – 28/05/2025 – Mundo

Economist: Proibir estrangeiros em universidades é péssimo - 28/05/2025 -


A decisão do governo Trump de suspender todas as entrevistas para vistos de estudantes estrangeiros que desejam estudar nos Estados Unidos, enquanto se aguarda uma revisão de como as postagens dos candidatos nas redes sociais são avaliadas, é mais uma escalada na disputa pelo controle das melhores universidades do mundo.

A política pode ser modificada. Pode ser menos onerosa do que parece à primeira vista. Mesmo que isso aconteça, porém, este é mais um golpe para uma grande história de sucesso americana.

O presidente Donald Trump se preocupa com o déficit comercial dos Estados Unidos. Portanto, é perverso da parte dele dificultar que um dos maiores exportadores do país —o setor educacional— venda seus serviços a estrangeiros.

Alguns de seus apoiadores imaginam que os estudantes estrangeiros estão ocupando vagas que poderiam ter sido destinadas a americanos. Isso poderia ser chamado de falácia da “massa universitária”. Na verdade, ao pagar taxas mais altas, os estudantes estrangeiros tendem a subsidiar os estudantes locais.

As universidades americanas atraem uma variedade maior das melhores mentes de todo o mundo do que qualquer uma de suas rivais globais. Isso as torna mais dinâmicas e inovadoras. E, ao atrair elites estrangeiras para a órbita cultural dos Estados Unidos, elas ampliam o soft power americano no exterior.

Infelizmente, não é assim que Trump e seu gabinete veem a situação. Para eles, as universidades de elite, em particular, são focos de antissemitismo e do politicamente correto. São fábricas de futuros líderes e doadores do Partido Democrata. E devem ser colocadas na linha. “As universidades são o inimigo”, disse J. D. Vance (que estudou nas universidades Ohio State e Yale) em uma conferência conservadora antes de se tornar vice-presidente.

Há alguma verdade nas críticas do Maga [sigla em inglês para “faça a América grandiosa novamente”] às universidades de elite. Algumas realmente têm sido muito brandas com o antissemitismo e muito desdenhosas com os pontos de vista conservadores. Mas isso dificilmente justifica os golpes que o governo está desferindo contra todo o sistema universitário. Até agora, eles incluem: deportar estudantes estrangeiros por pensamentos errados, congelar inscrições de estudantes estrangeiros, suspender bolsas de pesquisa do governo e prometer aumentar os impostos sobre grandes doações para universidades.

Vance frequentemente reclamou, com alguma justificativa, sobre a censura no campus. Portanto, é irritante para ele agora defender a deportação de estudantes estrangeiros por suas opiniões e sujeitar as novas solicitações de estudantes estrangeiros a uma verificação nas redes sociais.

A faculdade deveria ser um lugar onde os jovens exploram novas ideias, não um lugar onde eles se aventuram apenas com telefones descartáveis, com medo de revelar que uma vez compartilharam um meme simpatizando com os palestinos ou zombando de Trump. Os únicos estudantes que provavelmente terão feeds limpos nas redes sociais serão aqueles de Estados policiais como a China, que internalizaram a lição de que a liberdade de expressão atrai atenção indesejada.

Na guerra global por talentos, as universidades americanas têm sido há muito tempo seus recrutadores mais persuasivos, com enormes benefícios para a ciência, os negócios e as artes americanas. As políticas de Trump as tornarão menos atraentes. Qualquer estrangeiro com inteligência e recursos para estudar nos Estados Unidos tem outras opções. Por que arriscar contrair uma pilha de dívidas para estudar em um país onde o presidente não quer você, onde seu visto pode ser revogado antes de você se formar, onde suas conversas serão espionadas e onde você pode não ter permissão para trabalhar?

As universidades americanas são tão boas que um grande número de estrangeiros ainda vai disputar uma vaga nelas. No entanto, os primeiros sinais indicam que tudo isso está realmente dissuadindo os candidatos. Trump e seus apoiadores podem pensar que, ao reduzir o tamanho das instituições esquerdistas arrogantes e excluir estrangeiros com opiniões desagradáveis, estão tornando o ensino superior nos Estados Unidos grandioso novamente. Eles estão a caminho de torná-lo medíocre.

Texto do The Economist, traduzido por Gabriel Barnabé, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com



Fonte CNN BRASIL

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