
Assinalado esta terça-feira, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, marca a libertação do campo de concentração e extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 1945.
A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2005, e é marcada por eventos e atividades comemorativas na sede da ONU, em Nova Iorque, e em diversos escritórios em todo o mundo.
Em Nova Iorque haverá testemunhos de sobreviventes do Holocausto, bem como com intervenções oficiais incluindo do secretário-geral, António Guterres e da presidente da 80.ª Assembleia Geral, Annalena Baerbock.
Outros representantes nacionais e de alto nível estão presentes reafirmando o compromisso da Organização com a memória, a dignidade humana e os direitos fundamentais
Na sua mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que, neste dia, “honramos a memória das vítimas do Holocausto com solene reflexão e determinação inabalável”.
Ele recordou que o genocídio perpetrado pelo regime nazista resultou no assassinato de “seis milhões de judeus”, bem como dos povos Roma e Sinti, de pessoas com deficiência e de inúmeros outros grupos perseguidos.
Guterres sublinhou a dimensão humana de cada vida perdida, salientando que “cada vítima tinha um nome, esperanças e sonhos”, e que cada uma delas teve “os seus direitos sistematicamente negados e destruídos”.
O secretário-geral destacou ainda que o Holocausto não foi um acontecimento inevitável, frisando que “os seus arquitetos deixaram claro as suas intenções” e que o ódio e a violência “desenrolaram-se à vista de todos”.
Na sua mensagem para a data, o alto comissário para os Direitos Humanos, sublinhou que não é apenas um momento de recordação histórica, mas também um convite à reflexão sobre o presente e à responsabilidade de proteger o futuro.
Volker Turk recordou que o Holocausto não teve origem num passado distante ou obscuro, mas numa sociedade moderna, onde a apatia, o silêncio perante a injustiça e a desumanização progressiva abriram caminho ao genocídio.
Turk alertou para o aumento recente de ameaças e ataques contra judeus e para a normalização do ódio e da desumanização, incluindo nos espaços digitais.
O chefe de direitos humanos defendeu a necessidade de leis contra todas as formas de discriminação, de lideranças políticas que promovam a justiça em vez da polarização, e de educação contínua sobre o Holocausto e os direitos humanos.
Ele sublinhou ainda a importância de proteger a humanidade comum e de agir, individual e coletivamente, contra o racismo, o antissemitismo e a intolerância, inspirando-se no legado dos sobreviventes cujas histórias continuam a orientar as gerações futuras.
Apesar de os factos serem inegáveis, ele alertou para o avanço contemporâneo “das forças de distorção e negação”.
Guterres advertiu que o antissemitismo, a intolerância, o racismo e a discriminação continuam a ser alimentados por uma retórica desumanizadora e pela indiferença, sublinhando que estas dinâmicas exigem uma resposta clara.
Segundo afirmou, “devemos tomar uma posição, para homenagear as vítimas do passado, e evitar novas atrocidades”, renunciando ao ódio e à injustiça onde quer que surjam.
Imagem do Holocausto
A criação do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto está profundamente ligada à própria fundação das Nações Unidas, estabelecidas na sequência dos horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.
Este crime contra a humanidade teve um impacto determinante no desenvolvimento do Direito Internacional, levando à adoção, em 1948, de dois instrumentos fundamentais: a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.
A resolução da Assembleia Geral que instituiu o Dia Internacional também criou o Programa de Divulgação “O Holocausto e as Nações Unidas”, destinado a promover a educação, a memória e a prevenção de futuras atrocidades.
A data constitui um lembrete global dos perigos do ódio, do preconceito, da intolerância e do antissemitismo. A data apela à recordação e à reflexão, sublinhando a necessidade de ação contínua para garantir que crimes desta natureza não se repitam.
As comemorações incluem cerimónias solenes e iniciativas educativas que recordam as vítimas e reforçam os valores da dignidade humana, da igualdade e do respeito pelos direitos fundamentais.
Defendendo os princípios fundamentais da ONU, Guterres reiterou que é preciso honrar a memória das vítimas do Holocausto através da reafirmação da humanidade partilhada, da defesa da dignidade humana e da proteção dos valores que unem a comunidade internacional.
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