Estima-se que dos 93 milhões de iranianos, apenas 800 mil sejam cristãos. Apesar de o cristianismo ser uma minoria religiosa no Irã, o governo do país considera o movimento evangélico uma ameaça ocidental à segurança nacional, informa a organização cristã Portas Abertas.
“Igrejas domésticas são frequentemente invadidas, o que resulta muitas vezes em prisões, interrogatórios e pressão para delatar outros cristãos. As condições nas prisões são precárias, e o valor das fianças é altíssimo, causando o endividamento de famílias cristãs”, afirma a organização.
As restrições severas a cristãos de origem muçulmana obrigam muitos a deixar o país. Foi o caso de Bahar Rad e sua família. Seu pai foi preso por causa de sua fé –ele ficou um ano na cadeia.
Por motivo de segurança, Bahar mantém em sigilo seu nome verdadeiro e o local onde vive. Ela é porta-voz da Portas Abertas sobre o Irã, e se dedica a apoiar a igreja iraniana, especialmente os que vivem a fé em segredo.
Ela diz que hoje muitos cristãos continuam se reunindo em casa, mas com cautela redobrada. “Nas cidades onde ocorreram bombardeios e explosões, as pessoas foram aconselhadas a permanecer em suas casas. Muitas reuniões foram temporariamente suspensas por motivos de segurança”, conta.
Ela explica que há cristãos isolados, que não têm uma comunidade local. Para esses, as plataformas online são a única maneira de participar de reuniões de oração, estudos bíblicos ou mesmo receber encorajamento.
De origem muçulmana, Somayeha também precisou fugir do Irã por causa das ameaças sofridas após sua conversão. Somayeha também atua em um ministério online.
Ela também atua em um ministério online. No entanto, desde janeiro, quando diversos protestos contra a crise econômica e contra o regime ocorreram no país, a internet local tem sofrido apagões, dificultando a comunicação entre os irmãos.
Na lista mundial, o país ocupa o 10º lugar entre os que mais perseguem cristãos.
Se o evangelismo aberto não é permitido no país persa, os cristãos usam estratégias delicadas para alcançar o coração das pessoas.
“Uma mulher abriu sua casa para ajudar pessoas durante os protestos [do início do ano]. Ela acolheu um pequeno grupo em seu quintal enquanto dois médicos (que fazem parte da igreja doméstica) ajudavam pessoas que haviam sido feridas pela dura repressão”, conta Bahar Rad.
“A igreja continua a demonstrar silenciosamente o amor de Cristo. Em muitos casos, são esses simples atos de amor que fazem com que as pessoas encontrem o Evangelho de uma forma muito real e pessoal”.
Sobre a guerra, Bahar diz viver sentimentos conflitantes. “É uma tristeza profunda ver mísseis e bombardeios que levam as pessoas do meu país a perderem entes queridos, casas e pertences. Apesar disso, ver estruturas e indivíduos que há muito oprimem o povo e perseguem as minorias sendo confrontados nos traz uma sensação de esperança”, diz Bahar.




