O ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e a Comércio) disse, nesta quarta-feira (10), que uma reunião bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump é pouco provável durante o encontro do G7, na semana que vem.
A cúpula do bloco de economias industrializadas ocorrerá em Évian-les-Bains, na França.
O governo brasileiro busca negociar com os americanos uma forma de impedir o novo tarifaço proposto na semana passada pelo USTR, o escritório do representante comercial dos Estados Unidos.
Autoridades americanas recomendaram a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros. A soma das sobretaxas pode chegar a 37,5%, mas há uma lista com centenas de exceções.
A aplicação dessas taxas depende de uma decisão de Trump.
Márcio Elias Rosa foi perguntado por jornalistas no Itamaraty sobre a possibilidade de uma reunião Lula-Trump no G7. “Acho que não vai”, respondeu. Ele disse que a delegação brasileira que estará no G7 é pequena, o que dificultaria uma reunião desse porte.
Rosa afirmou que nos próximos dias terá uma nova conversa com Jamieson Greer, representante de comércio americano, para tentar conter as tarifas.
O ministro Sidônio Palmeira (Secom) disse que não há nada marcado entre Lula e Trump. Segundo ele, é possível que haja uma conversa entre os dois presidentes no G7 porque se trata de um encontro pequeno, em que os participantes costumam ter algum nível de contato.
O ministro da Agricultura, André de Paula, disse que existe uma disposição de Lula de negociar o quanto for preciso para impedir um aumento nas tarifas.
Tanto Rosa quanto Sidônio e de Paula falaram na sede do Ministério de Relações Exteriores antes de uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como Conselhão. O órgão reúne representantes de diversos setores da sociedade para dar sugestões ao governo federal.
Na última semana, integrantes do primeiro escalão do governo Lula acreditavam que ele poderia encontrar Trump no G7 para discutir as tarifas.
Os movimentos do governo nessa área têm importância econômica, mas também contém significado político e eleitoral. Lula, que concorrerá à reeleição em outubro, busca se colocar perante a população brasileira como um presidente capaz de defender os interesses do Brasil no cenário internacional.
O petista tenta fazer uma contraposição a seu principal adversário, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se alinha a Trump. Tanto a ameaça de tarifas quanto a classificação das facções brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas pelo governo americano vieram pouco depois de Flávio Bolsonaro se encontrar com Trump.
O petista orientou seus aliados a apontar Flávio como traidor do Brasil no debate público. Também planeja colocar a soberania nacional como um dos pontos centrais de sua campanha de reeleição.
Em 2025, na resposta ao primeiro tarifaço, Lula reforçou seu discurso sobre soberania e atingiu alguns dos melhores índices de popularidade do atual mandato.




