O ex-embaixador britânico nos EUA Peter Mandelson pretende se aposentar da Câmara dos Lordes, informou nesta terça-feira (3) o presidente da Casa, Michael Forsyth.
Forsyth informou ao Parlamento que estava fazendo o anúncio “dado o interesse público” sobre o assunto. Mandelson é casado com um brasileiro, Reinaldo Ávila da Silva, que recebeu £ 10 mil (cerca de R$ 71 mil na cotação atual) do bilionário americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times.
Uma nova leva de mensagens trocadas entre o bilionário e o casal vieram à tona no terceiro conjunto de arquivos do caso Epstein divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na sexta-feira (30).
Nesta terça, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que Mandelson, “decepcionou seu país” com a relação com Epstein, informou o gabinete do político trabalhista.
Starmer disse ao seu gabinete que estava horrorizado com as revelações sobre o ex-embaixador que surgiram no fim de semana, de acordo com um comunicado de Downing Street sobre a reunião.
“O suposto repasse de emails de assuntos governamentais altamente sensíveis foi vergonhoso”, disse o primeiro-ministro, acrescentando que ainda não estava “convencido de que a totalidade das informações tenha emergido” sobre as ligações de Mandelson com Epstein.
Starmer também disse que pediu aos funcionários para elaborar legislação que permita remover o ex-embaixador na Câmara Alta do Parlamento britânico “o mais rapidamente possível” e afirmou que o governo cooperaria com quaisquer investigações policiais sobre o assunto. O anúncio de aposentadoria de Mandelson veio após a nota do primeiro-ministro.
No ano passado, o premiê nomeou Mandelson embaixador em Washington, o que seria o retorno do lorde à vida pública. Em setembro, no entanto, ele foi demitido quando novos emails do caso Epstein vieram à tona, mostrando que os dois mantiveram uma relação próxima mesmo após a condenação do americano.
Na época da troca de emails, durante o governo do então primeiro-ministro Gordon Brown (2007-2010), Mandelson foi nomeado para a Câmara dos Lordes —cujas cadeiras não são distribuídas por votação. Ele também ocupou os cargos de secretário de negócios e vice-primeiro-ministro.
Registros bancários divulgados pelas autoridades dos EUA sugeriram que em 2009, Mandelson, como secretário de negócios, encaminhou um briefing econômico para Epstein destinado ao então líder Gordon Brown, com a legenda: “Nota interessante que foi enviada ao PM”.
Mandelson foi um dos arquitetos do renascimento do Partido Trabalhista como força eleitoral nos anos 1990, sob Tony Blair. Ele se desfiliou do partido no domingo (1º) para evitar causar “mais constrangimento” em meio à avalanche de revelações.




