O governo da Espanha cancelou um contrato de quase € 700 milhões (cerca de R$ 4,41 bilhões) para a compra de lançadores de foguetes de design israelense, segundo documentos obtidos pela agência AFP nesta segunda-feira (15).
A suspensão ocorre após dias de fortes tensões entre os dois países. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou na semana passada medidas para “deter o genocídio em Gaza”, entre elas um embargo de armas a Israel e a proibição de que navios e aeronaves carregando armamentos com destino ao país utilizem portos e espaço aéreo espanhóis.
O contrato, ligado a um consórcio de empresas espanholas, previa a aquisição de 12 unidades do sistema de lançadores de foguetes de alta mobilidade, desenvolvido a partir do sistema Puls da empresa israelense Elbit Systems, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).
Em abril deste ano, o Ministério do Interior da Espanha cancelou uma compra de munições de uma empresa israelense, após pressão do partido de esquerda Sumar.
No mesmo mês, o instituto de pesquisa Centro Delàs estimou que Madri havia firmado 46 contratos no valor de US$ 1,04 bilhão (5,53 bilhões de reais) com empresas israelenses desde o início da guerra na Faixa de Gaza, segundo dados da plataforma de licitações públicas.
Sánchez é uma das vozes europeias mais críticas à campanha militar que Israel vem realizando no território palestino. Seu governo decidiu reconhecer em maio de 2024 o Estado da Palestina, o que provocou a retirada do embaixador israelense em Madri.
Com o anúncio das mais recentes medidas contra Madri, o ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, acusou o governo espanhol de “campanha contínua anti-Israel e antissemita” e afirmou que Sánchez busca desviar a atenção de escândalos de corrupção domésticos.
Como retaliação, Saar anunciou que Israel proibirá a entrada da vice-primeira-ministra, Yolanda Díaz, e da ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, de origem palestina.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha respondeu em nota, rejeitando “categoricamente as falsas e caluniosas acusações de antissemitismo” e assegurando que o país “não se deixará intimidar em sua defesa da paz, do direito internacional e dos direitos humanos”.




