Em novo episódio de tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela, o governo de Donald Trump afirmou nesta quinta (4) que duas aeronaves militares do país sul-americano se aproximaram dos navios deslocados por Washington para a região do Caribe como parte de operação para coibir o narcotráfico.
Segundo o Departamento de Defesa americano, o ato representou uma provocação do regime de Nicolás Maduro. Washington ainda acusou Caracas de tentar interferir em suas ações contra os cartéis de drogas.
“Aconselhamos fortemente o cartel que controla a Venezuela a não prosseguir com qualquer esforço adicional para obstruir, dissuadir ou interferir nas operações feitas pelos militares dos EUA para combater o narcotráfico e o terrorismo”, diz trecho do comunicado divulgado pela pasta em suas redes sociais.
Ainda segundo o governo americano, que não forneceu detalhes, os navios estavam em águas internacionais. O regime venezuelano, por sua vez, não havia comentado.
O jornal The New York Times, mencionando uma autoridade da defesa americana, relatou que dois caças F-16 venezuelanos sobrevoaram o destróier Jason Dunham, equipado com mísseis guiados, no sul do mar do Caribe. De acordo com a autoridade, o navio não respondeu ao sobrevoo e não houve confronto.
O episódio ocorre dois dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que as forças do país destruíram um barco que estaria saindo da Venezuela supostamente carregado de drogas. A ação matou 11 pessoas, ainda segundo o republicano. O regime de Maduro, por sua vez, negou o caso. Também acusou Washington de divulgar um vídeo falso feito por inteligência artificial sobre o suposto ataque.
No dia seguinte, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os ataques a barcos carregando drogas, como o que teria sido alvejado na terça (2), vão acontecer novamente. O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, também afirmou que as operações na região não vão parar.
Os EUA enviaram pelo menos sete navios de guerra às águas próximas da Venezuela, junto com um submarino de ataque rápido movido a energia nuclear. A esquadra é tripulada por 4.500 marinheiros e fuzileiros navais. Washington também opera aviões espiões nas águas próximas à Venezuela.
O movimento é justificado pelo governo Trump como uma ofensiva contra o tráfico de drogas na região. Analistas, porém, veem a questão como um gesto para ampliar a pressão sobre Maduro.
O ditador venezuelano é considerado por Washington como líder do Cartel de los Soles, suposto grupo narcotraficante envolvendo o autocrata e altas autoridades civis e militares de Caracas, que rejeita a acusação. Especialistas negam que o grupo exista.
Em resposta, Maduro iniciou novo alistamento à Milícia Nacional Bolivariana, força composta de civis alinhados às Forças Armadas, e afirmou que a Venezuela conta com 4,5 milhões de reservistas prontos para enfrentar ameaças, número contestado por especialistas.
Caracas também levou o tema à ONU, exigindo “o cessar imediato do deslocamento militar americano no Caribe” e pedindo ao secretário-geral da organização, António Guterres, que intervenha para “restabelecer o bom senso”.




