O secretário de Justiça americano, Merrick Garland, disse nesta sexta-feira (11) que o promotor federal responsável por apresentar acusações criminais contra Hunter Biden, filho do presidente Joe Biden, terá independência para aprofundar as investigações.
Garland decidiu nomear David Weiss, procurador em Delaware, promotor especial independente. Ele terá mais liberdade para investigar Hunter em acusações relacionadas à sonegação de impostos, uso de drogas e participação em negócios ilícitos no exterior.
Segundo o jornal americano The New York Times, Garland decidiu mudar a posição de Weiss após o promotor alegar que a investigação havia “chegado ao estágio” em que, para continuar, seriam necessários os poderes de um procurador especial. Assim, o secretário de Justiça decidiu conceder ao procurador autoridade para investigar todos os assuntos relacionados ao inquérito e apresentar acusações em qualquer jurisdição, sem a supervisão do Departamento de Justiça.
“A nomeação de Weiss reforça para o povo americano o compromisso do Departamento com a independência e a responsabilidade em assuntos particularmente delicados”, disse Garland após a nomeação. “Estou confiante de que Weiss cumprirá sua responsabilidade de maneira imparcial e urgente.”
A mudança, a pouco mais de um ano da eleição presidencial dos Estados Unidos, ocorre ao mesmo tempo em que republicanos no Congresso ameaçam um processo de impeachment contra Biden sob alegações não comprovadas de que o presidente se beneficiou dos empreendimentos comerciais de seu filho.
Em 2018, o Departamento de Justiça abriu uma investigação contra Hunter por possíveis violações de leis relacionadas a impostos e por lavagem de dinheiro em transações comerciais estrangeiras. O processo foi conduzido por Weiss, indicado ao cargo pelo ex-presidente Donald Trump —Biden o manteve no posto para afastar suspeitas de que estaria interferindo na investigação contra o filho.
Em junho, dois funcionários da Receita depuseram à Câmara afirmando que as apurações contra o filho do presidente foram propositadamente atrasadas pelo Departamento de Justiça. Um dos agentes entregou à Câmara conversas de WhatsApp em que Hunter questionava, em tom de ameaça, o empresário chinês Henry Zhao sobre o andamento de um acordo. As mensagens são de 2017, quando seu pai, que então havia acabado de deixar a Vice-Presidência, não ocupava nenhum cargo público.
Além disso, as autoridades da Receita afirmaram que “há evidências de que o Departamento de Justiça deu tratamento preferencial [ao caso], atrasou as investigações e não fez nada para afastar óbvios conflitos de interesses”. Eles ainda disseram que um procurador do caso se comunicava com frequência com os advogados de Hunter.
A Casa Branca nega qualquer irregularidade no caso, descrevendo as acusações como teorias da conspiração.
Também em junho, Hunter chegou a um acordo com o Departamento de Justiça para se declarar culpado de acusações sobre sonegação de impostos e posse ilegal de arma e, assim, assegurar a liberdade condicional. Mas, no mês passado, um juiz federal recusou a confissão, e os casos continuam em aberto. Cada processo pode levar a até 12 meses de prisão e uma multa até US$ 100 mil (cerca de R$ 480 mil).
Após a nomeação de Weiss, o advogado de Hunter, Christopher Clark, disse esperar uma resolução justa para o caso. “Este procurador [Weiss] tem investigado diligentemente meu cliente por cinco anos, e ele propôs uma resolução que pretendemos buscar no tribunal”, disse em um comunicado. “É difícil entender por que ele teria proposto tal resolução se houvesse outras acusações que ele poderia ter processado com sucesso, e não temos conhecimento de nenhuma.”
Há anos, Hunter Biden é alvo de ataques do ex-presidente Donald Trump e de republicanos que o acusam de irregularidades. O líder republicano acusa Joe Biden de ter usado sua influência para favorecer os interesses de Hunter, embora comitês de investigação do Senado americano tenham concluído que Biden não se envolveu.




