A chegada de 2.500 fuzileiros navais e outros 2.500 marinheiros a caminho mantém o número de tropas americanas na região do Oriente Médio em mais de 50 mil —cerca de 10 mil a mais do que o habitual. Enquanto isso, o presidente Donald Trump decide seu próximo passo na guerra contra o Irã, que já dura um mês.
Embora ainda não esteja claro qual será a missão dos fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária, autoridades americanas afirmam que o presidente está avaliando se deve tentar um ataque maior, como uma operação para tomar uma ilha ou outro território como parte dos esforços de Trump para reabrir o estreito de Hormuz.
A estreita passagem marítima, por onde normalmente transita cerca de 20% do petróleo mundial, está praticamente fechada devido a ataques das forças iranianas, que estão retaliando contra a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra seu país.
Normalmente, há cerca de 40 mil soldados americanos espalhados em bases e navios pela região a qualquer momento, incluindo na Arábia Saudita, Bahrein, Iraque, Síria, Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Mas, à medida que Trump escalou a guerra no Irã, esse número ultrapassou 50 mil, segundo um oficial militar americano.
O número de tropas, porém, já não inclui os 4.500 a bordo do porta-aviões USS Gerald Ford. O navio foi prejudicado por constantes contratempos, incluindo um incêndio que teria começado na lavanderia. O Gerald Ford deixou a região no dia 23 de março e navegou até Creta, na Grécia. Na sexta-feira (27), chegou à Croácia. Ainda não está claro para onde seguirá.
Na semana passada, o Pentágono também ordenou o envio de cerca de 2.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército para o Oriente Médio, a fim de dar a Trump opções militares adicionais.
A localização dos paraquedistas do Exército não é pública, disse o oficial militar. Mas eles estarão a uma distância de ataque do Irã.
Os paraquedistas poderiam ser usados para tomar a ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã no norte do Golfo Pérsico, onde aviões de guerra americanos bombardearam mais de 90 alvos militares neste mês. Ou poderiam ser destacados para outras operações terrestres em conjunto com os fuzileiros navais.
Mas especialistas militares alertam que mesmo 50 mil soldados, muitos deles mobilizados no mar, é um número pequeno para qualquer tipo de grande operação terrestre. Israel usou mais de 300 mil soldados em suas operações na Faixa de Gaza, iniciadas em outubro de 2023. A coalizão liderada pelos EUA que invadiu o Iraque em 2003 tinha cerca de 250 mil no início.
Com quase um terço do tamanho dos EUA continental, o Irã tem cerca de 93 milhões de habitantes. Tomar, e muito menos manter, um país profundamente complexo de seu tamanho, complexidade e arsenal com 50 mil soldados, dizem especialistas militares, não é viável.




