EUA: Tennessee acaba com distrito eleitoral negro – 07/05/2026 – Mundo

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Republicanos do Tennessee aprovaram nesta quinta-feira (7) um novo mapa eleitoral que retira um distrito majoritariamente negro do estado para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos centrado em Memphis. A decisão ocorre enquanto vários outros estados do Sul do país buscam aproveitar a decisão da Suprema Corte americana que enfraqueceu drasticamente a histórica Lei dos Direitos de Voto.

A medida, recebida com protestos no capitólio estadual, provavelmente vai mudar o assento democrata nas eleições de meio de mandato de novembro, quando a maioria republicana na Câmara dos Representantes federal estará em jogo.

Isso porque a população negra, em particular nos estados do Sul do país, tendem a votar pelo Partido Democrata —com o redesenho que retira o distrito centro em Memphis, de maioria populacional negra, esses eleitores terminam diluídos em outros distritos e não formam a maioria necessária para conseguir eleger seu candidato preferencial.

O novo mapa divide o condado de Shelby, onde fica Memphis, em três distritos separados com tendência republicana —a cidade desempenhou papel crucial no movimento pelos direitos civis no passado.

As novas linhas podem, portanto, terminar por destituir o deputado democrata Steve Cohen, que representa Memphis desde 2007. Os republicanos já controlam os outros oito distritos do estado.

Com o incentivo do presidente Donald Trump, os republicanos seguiram em frente apesar dos protestos no capitólio estadual e das denúncias dos democratas, muitos dos quais classificaram o plano como racista.

“É uma forma de terror Jim Crow. Vocês sabem o que estão fazendo. É vergonhoso”, disse o representante estadual Justin Jones, um democrata negro, comparando o novo mapa às leis eleitorais racistas que restringiam o acesso ao voto de negros sulistas na década de 1960 —a lei desidratada pela Suprema Corte é resultado direto dos movimentos civis que lutaram por igualdade do direito ao voto.

Legisladores republicanos defenderam o mapa, argumentando que ele não foi motivado por raça, mas apenas por considerações partidárias.

“Isso nos dá uma oportunidade única pela primeira vez na história de ter uma delegação totalmente republicana enviada do Tennessee para Washington, para representar valores conservadores”, disse o representante estadual republicano Jason Zachary.

Enquanto a votação prosseguia na câmara estadual, o presidente republicano da Casa, Cameron Sexton, repetidamente mandou retirar manifestantes que gritavam das galerias. Quando a Câmara estadual fez sua votação final, legisladores negros ficaram de pé na frente do local de braços dados em oração, enquanto manifestantes soavam buzinas e entoavam slogans como “nada de novos mapas” e “nós, o povo”.

A votação no Senado (quase todos os estados americanos têm um legislativo estadual bicameral) também foi brevemente adiada quando a senadora estadual Charlane Oliver, uma democrata negra, subiu em uma mesa no plenário e desenrolou um lençol com as palavras “Não à Jim Crow 2.0” escritas nele, enquanto outros democratas ficavam de pé em protesto.

A seção do Tennessee da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês), o maior grupo de direitos civis do país, entrou imediatamente com uma ação judicial contra o governador do Tennessee, Bill Lee, e a legislatura estadual na tentativa de bloquear o redesenho eleitoral, afirmando que as mudanças violavam a lei estadual e a constituição do Tennessee.

A decisão da Suprema Corte do último dia 30 concluiu que a Louisiana havia se baseado indevidamente em raça ao desenhar um segundo distrito majoritariamente negro para cumprir as salvaguardas da Lei dos Direitos de Voto. A decisão de 6 a 3 abriu as portas para que, então, a Louisiana e outros estados liderados por republicanos redesenhassem seus mapas e eliminassem distritos democratas majoritariamente negros que há muito eram vistos como legalmente protegidos pela lei agora desidratada.

A Louisiana suspendeu sua eleição primária para a Câmara dos EUA prevista para o dia 16 de maio para dar tempo aos legisladores de desenharem um novo mapa, mesmo que dezenas de milhares de eleitores já tenham votado antecipadamente.

Na Carolina do Sul, legisladores republicanos estão pressionando por um projeto de lei que lhes permitiria buscar um novo mapa apagando um distrito majoritariamente negro ocupado pelo representante Jim Clyburn, um ativista dos direitos civis e figura influente do Partido Democrata que está cumprindo seu 17º mandato.

Já o Alabama pediu à Suprema Corte que reverta uma ordem judicial que criou um segundo distrito majoritariamente negro em 2023 e permita que legisladores republicanos usem um mapa com apenas um distrito. Legisladores republicanos avançaram nesta semana um projeto de lei que lhes permitiria adiar a eleição primária para a Câmara dos EUA prevista para o dia 19 de maio se o tribunal decidir em seu favor.

A enxurrada de movimentos do tipo intensificou o que já era uma disputa nacional sem precedentes no meio da década sobre o redesenho de mapas eleitorais, desencadeada no ano passado quando Trump pressionou os republicanos do Texas a rasgar seu mapa eleitoral em favor de um plano que visava legisladores democratas.

Outros estados, tanto republicanos quanto democratas, seguiram o exemplo nos meses seguintes. Os republicanos atualmente construíram uma vantagem líquida de cerca de quatro cadeiras na Câmara em nove estados, pendente o resultado na Louisiana, Carolina do Sul e Alabama. Mas litígios na Virgínia, Flórida e Missouri podem embaralhar ainda mais o placar.



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