Europa corre para tentar defender a Groenlândia de Trump – 15/01/2026 – Mundo

Europa corre para tentar defender a Groenlândia de Trump -


Um dia após uma delegação dinamarquesa sair frustrada de um encontro com autoridades americanas, países europeus aceleraram nesta quinta-feira (15) os planos de mostrar que são capazes de fornecer a defesa da Groenlândia, na tentativa de demover Donald Trump de tomar a ilha de Copenhague.

O francês Emmanuel Macron assumiu a liderança retórica do continente. “Nós vivemos em um mundo em que forças desestabilizadoras acordaram, e certezas que às vezes duraram décadas estão sendo questionadas, com competidores [que a Europa] nunca pensou que veria”, afirmou em discurso na base de Istres (sul da França).

Medianamente diplomático, ele não nomeou Trump ou os EUA, mas esse era o tema do dia. Macron havia o gabinete francês para uma reunião de emergência às 7h (4h em Brasília) desta quinta. Disse que enviaria tropas para o exercício militar bolado pela Dinamarca para angariar apoio.

“Os primeiros elementos militares franceses já estão em rota. Outros seguirão”, escreveu Macron no X. É um esforço, salvo mudanças, basicamente simbólico em termos numéricos.

Na semana passada, a Dinamarca desembarcou alguns soldados na ilha. Na quarta (14), a Alemanha disse que enviaria 13 militares para uma missão de reconhecimento, enquanto a Noruega designou 3 para o mesmo fim.

Nem Paris nem Copenhague revelaram quantos fardados foram mobilizados, mas nada indica o início de uma grande força-tarefa. Na ilha, o maior contingente militar já é americano: há cerca de 150 pessoas na base de Pituffik, que controla satélites e radares vitais para a detecção de lançamentos de mísseis russos e chineses que usariam o atalho do polo Norte para chegar mais rapidamente aos EUA numa guerra.

Esta é uma das questões que Trump considera na sua campanha pela ilha, embora a tempere com uma fantasia de que Moscou e Pequim querem tomar a Groenlândia. O local é estratégico militarmente, além de ficar junto a rotas marítimas importantes e ter potenciais reservas de minerais vitais para a indústria de tecnologia e defesa.

Fora da China, líder global e rival dos EUA, a ilha concentra 66% das reservas mundiais das chamadas terras raras pesadas, empregadas justamente em chips avançados. Hoje os americanos já têm direitos de exploração segundo tratado, mas Trump quer o controle total.

Na quarta, isso foi reiterado aos chanceleres Lokke Rasmussen (Dinamarca) e Vivian Motzfeldt (Groenlândia) pelo vice-presidente J. D. Vance e pelo secretário de Estado, Marco Rubio. O encontro em Washington foi descrito como franco e duro pelos visitantes, sem sinal de mudança na posição americana.

A missão de dissuadir Trump parece impossível, como admitiu a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. “Há uma desavença fundamental acerca da ambição americana de tomar a Groenlândia”, escreveu no Facebook. Ela prometeu “continuar os esforços para evitar que o cenário vire realidade”, mas disse que “não é fácil”.

Mesmo o apoio europeu não é unânime. Nesta quinta, o premiê polonês, Donald Tusk, disse que seu país não enviaria soldados para a ilha porque já tem preocupações de sobra com a Rússia e a invasão da vizinha Ucrânia.

Ele repetiu o que Frederiksen já havia dito: uma tomada à força da Groenlândia por Trump implodiria a Otan, a aliança militar que reúne 30 membros europeus, os americanos e os canadenses. “Seria o fim do mundo como o conhecemos”, afirmou.

A investida de Trump, que neste 2026 já atacou e capturou o ditador Nicolás Maduro em Caracas e ensaia uma ação militar para apoiar manifestantes no Irã, não considera tal cenário. Ela está em consonância com a sua nova Estratégia de Segurança Nacional, lançada em dezembro.

No texto, o americano diz que vai retomar o controle do entorno estratégico dos EUA e dedica um capítulo para criticar os líderes europeus, chamados por ele de fracos. Por toda a retórica de defesa da Groenlândia, a realidade se aproxima do que Rasmussen disse: se Trump decidir entrar, será difícil resistir.

Quem assiste tudo de camarote é a Rússia de Vladimir Putin. Nesta quinta, o Kremlin até ridicularizou a ideia de que gostaria de tomar a ilha para si, dizendo que isso é um mito criado por Trump.

Mas, na prática, é o melhor dos mundos ver os aliados europeus de Volodimir Zelenski serem acuados pelo principal integrante da Otan no momento em que se discute um fim para a guerra iniciada por Putin há quase quatro anos.

O enviado americano para o conflito, Steve Witkoff, deve ir em breve a Moscou para discutir a versão mais recente do plano, mas em entrevista na quarta Trump já indicou para onde seu pêndulo balança, ao dize que Zelenski parecia dificultar mais as coisas do que Putin.



Fonte CNN BRASIL

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