
RAPHAEL DI CUNTO, AUGUSTO TENÓRIO, CAROLINA LINHARES E THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – As recusas de PP e União Brasil e as prováveis rejeições de Republicanos e Podemos a uma aliança com o senador Flávio Bolsonaro (PL) fazem com que o principal candidato de oposição ao presidente Lula (PT) chegue ao fim do período de convenções partidárias isolado, sem aliança com nenhum partido expressivo, com exceção do próprio PL.
Aliados do senador apostam no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para reverter esse cenário, mas integrantes do Republicanos e do Podemos afirmam que a tendência é que os dois partidos fiquem neutros na disputa presidencial, liberando seus diretórios estaduais para fazerem campanha para quem for mais conveniente para a estratégia de eleger mais congressistas.
O Republicanos fará sua convenção partidária na terça (4), às 9h, em Brasília, e Tarcísio mantém contato constante com o presidente do partido para tratar da eleição. Eles estarão juntos neste sábado (1º) na convenção estadual do partido em São Paulo.
Já o Podemos delegou à Executiva nacional, comandada pela deputada federal Renata Abreu (SP), a decisão sobre alianças até 5 de agosto (quarta), prazo máximo para registro de candidaturas.
Com a rejeição do PP e a provável negativa do Republicanos, Flávio Bolsonaro está isolado na disputa eleitoral, com apoio apenas do PL, o que lhe deixará com 20% de tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio a menos do que o presidente Lula (que conseguiu unificar em torno de si os partidos de esquerda e centro-esquerda, embora também tenha falhado em ampliar alianças ao centro).
Nesse cenário, Flávio terá 4min20s de propaganda em cada bloco do programa eleitoral de 12min30 na TV e rádio, um minuto a menos do que Lula, que contará com 5min32s de cada programa. Além deles, apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão direito a propaganda na disputa presidencial. O ex-governador de Goiás vai dispor de 2min2s e o escritor, de 36 segundos.
No Republicanos, apesar dos apelos de Tarcísio, a tendência é aprovar a neutralidade na eleição presidencial, de acordo com quatro parlamentares da cúpula do partido e dois dirigentes nacionais. Essa é a posição da maioria da legenda, que prefere liberdade para selar as melhores alianças nos estados, sem precisar estar vinculado a uma candidatura presidencial vista como problemática.
Em troca da coligação, Flávio ofereceu ao Republicanos a vice na chapa -que ele deseja que seja ocupada por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A indicação, porém, não entusiasma a direção da sigla, já que Daniella é recém-filiada.
Para vencer essas resistências, aliados de Flávio passaram a falar no deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) para a vaga. Ele é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a bancada ruralista. Pessoas próximas ao parlamentar, porém, afirmam que ele tem uma relação de proximidade com Caiado, o que dificulta que aceite, e que estaria focado na reeleição para deputado.
Integrantes da campanha também sugeriram a possibilidade de indicar Pereira para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), o que foi rejeitado publicamente pelo presidente do partido.
Segundo dois dirigentes da sigla, a perda de força de Flávio após a revelação de que ele pediu e recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse” reduziu há meses as chances de uma aliança. As pesquisas internas do partido apontam que isso fragilizou a candidatura, até então considerada muito competitiva. Flávio diz que o dinheiro era apenas para custear o longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nos bastidores, quem convive com Pereira narra uma série de insatisfações do presidente do Republicanos com o PL, inclusive o vazamento da suposta negociação por uma vaga no STF. Nessa lista, também estão a insistência do partido de Flávio em filiar Tarcísio e ataques do clã Bolsonaro, como a declaração de Eduardo Bolsonaro, em 2023, de que o Republicanos era um partido de esquerda.
Segundo políticos do partido, a maioria dos diretórios prefere a neutralidade, seja por estar numa aliança com a chapa ligada ao governo Lula em seu estado, como no caso do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), na Paraíba, seja por divergências locais com o PL, como no Mato Grosso, onde os dois partidos vão se enfrentar na disputa ao governo.
Aliados de Lula e integrantes da campanha de Flávio também tentaram atrair o Podemos. A sigla é uma das que mais cresceu na janela partidária em março e hoje conta com 27 deputados federais, além de ser a maior bancada federal de São Paulo.
Houve uma conversa do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, e outros cardeais do PT, com a cúpula do Podemos. Segundo lideranças do governo, a conversa não chegou a uma aliança, mas foi positiva para pavimentar a discussão sobre uma participação mais expressiva do partido num governo Lula 4, a depender do tamanho da bancada eleita, e afastá-lo de Flávio.
Pelo lado do PL, foi aventada a possibilidade de ajuda com o fundo eleitoral. A sigla de Flávio Bolsonaro não veda a transferência de recursos para partidos aliados. Apesar de considerarem importante um aumento do fundo eleitoral, deputados avaliam que um alinhamento com Flávio Bolsonaro poderia atrapalhar o desempenho geral do partido.
Nesta sexta (31), Flávio se reuniu com a presidente do Podemos, num encontro organizado pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Segundo aliados de Renata, foi reforçado o convite para uma aliança, com a possibilidade inclusive de que ela concorra como vice, mas a tendência segue sendo a neutralidade.
O caminho foi também o adotado pela federação PP e União Brasil. Até então a principal aposta de Flávio para ocupar a vice e turbinar seu tempo de propaganda na TV e rádio, o grupo se distanciou da candidatura do PL após o caso “Dark Horse” e, principalmente, após as críticas feitas por Flávio ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) quando o presidente do PP foi alvo de operação da Polícia Federal pelas relações com o ex-dono do Banco Master.
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