Flávio Bolsonaro pede ajuda a Trump para se eleger, diz colunista

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O senador Flávio Bolsonaro protagonizou um discurso que chamou atenção durante um evento com representantes da direita americana em Dallas, no Texas. Diante de uma plateia numerosa, ele traçou paralelos entre a trajetória política de seu pai e a de Donald Trump, ao mesmo tempo em que fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A fala ocorreu em inglês e foi lida a partir de um texto preparado.

Logo no início, Flávio buscou apresentar o Brasil como peça-chave para os interesses estratégicos dos Estados Unidos. “Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região impossível”, afirmou. Em seguida, reforçou a ideia de que o país ocupa uma posição central no cenário geopolítico: “o Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.

De acordo com a colunista Mariana Sanchez, do UOL em Washington, a participação de Flávio foi antecedida por uma introdução feita por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que o chamou ao palco enquanto registrava o momento com o celular. Segundo ele, o vídeo seria mostrado ao pai. Durante sua fala, Flávio também mencionou Jair Bolsonaro, comparando sua situação à de Trump. “Tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Trump. Não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo. Nós brasileiros ainda lutamos”, declarou.

O senador também dirigiu críticas diretas ao atual presidente brasileiro, a quem chamou de “socialista condenado por corrupção”. Em sua argumentação, tentou justificar a relevância do tema para o público americano: “Talvez vocês pensem: ‘Por que deveríamos nos importar? Este é um problema do Brasil’. Deixem-me explicar exatamente por que isso importa para a América e para o mundo“. Nesse contexto, voltou a mencionar questões como minerais estratégicos e o combate ao narcotráfico.

Em outro momento, retomou a ideia de alinhamento político internacional, repetindo: “Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna sua política para a região simplesmente impossível”. E reforçou novamente: “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.

Apesar das críticas à China, o país asiático segue sendo o principal parceiro comercial do Brasil. Ainda assim, Flávio mudou o foco do discurso ao acusar o governo brasileiro de atuar em favor de organizações criminosas. “O presidente do meu país faz lobby nos EUA para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo“, afirmou.

Nesse ponto, ele defendeu que grupos como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Especialistas, no entanto, fazem distinção entre terrorismo e crime organizado. Segundo Mario Sabburro, ex-secretário nacional de Segurança Pública, essas facções não possuem motivação ideológica ou política, mas sim objetivos financeiros.

Uma eventual classificação como terroristas poderia abrir caminho para ações mais diretas dos Estados Unidos em território brasileiro, incluindo operações militares ou bloqueio de recursos financeiros ligados a essas organizações, o que levanta questionamentos sobre soberania nacional.

Ao final do discurso, Flávio Bolsonaro fez referência direta a Donald Trump, sugerindo uma aproximação política. “Eu entendo que o presidente Trump está incrivelmente ocupado ‘Fazendo a América Grande Novamente’ e deve manter relações institucionais com líderes de todos os países (…). Mas estou confiante de que o maior negociador da história pode facilmente ver quem são seus verdadeiros aliados do Brasil”. Em tom otimista, concluiu: “Trump 2.0 está sendo muito melhor que Trump 1.0, certo? Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai. E os EUA também terão seu aliado de volta”.

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