Uma nova flotilha transportando ajuda humanitária para palestinos na Faixa de Gaza está programada para partir neste domingo (12) do porto de Barcelona, na Espanha, com o objetivo de tentar romper o bloqueio israelense ao território. Iniciativa semelhante ano passado, organizada pelo mesmo grupo, foi barrada pelo Exército de Israel, que prendeu alguns dos participantes.
Trinta e nove barcos devem deixar a cidade espanhola, segundo um porta-voz da flotilha. Mais embarcações, também carregadas com suprimentos médicos e alimentos, devem se juntar ao grupo ao longo do trajeto em direção à Palestina.
Devido às condições de navegação, o comboio irá até outro porto antes de seguir para águas internacionais no final da semana, afirmou o brasileiro Thiago Ávila, membro do comitê organizador.
Segundo Ávila, a missão anterior reuniu 42 barcos, que foram interceptados com 462 pessoas a bordo por Israel. Desta vez, o plano é angariar mais de 70 embarcações, incluindo as 39 que partem de Barcelona. “O que estamos fazendo agora é agrupar mais barcos do que qualquer iniciativa já conseguiu para tentar fazer essa travessia do Mediterrâneo”, afirmou Ávila.
O Exército Israelense interceptou uma iniciativa semelhante organizada pelo mesmo grupo em outubro passado. Durante a ação, a ativista sueca Greta Thunberg, Ávila e mais de 450 outros participantes foram presos.
Os ativistas foram mantidos na prisão de Ktzi’ot, no deserto do Negev, perto da fronteira com o Egito. Após serem deportados, eles foram transferidos por via terrestre até a Jordânia. Um grupo de brasileiros retornou em um voo comercial que saiu da capital jordaniana, Amã, com escala em Doha, no Qatar.
Ativistas suíços, espanhóis e brasileiros disseram ter sido submetidos a condições desumanas durante sua detenção pelas forças israelenses. A alegação foi rejeitada por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel.
Em outra empreitada que também tentava entregar ajuda a Gaza, em maio de 2025, a embarcação Conscience foi atingida por dois drones em águas internacionais perto da ilha de Malta, às vésperas de levar 80 integrantes e insumos ao território. Na época, funcionários do governo israelense afirmaram que o barco transportava armamentos ao Hamas, o que foi contestado por uma inspeção maltesa.
A missão atual, como as anteriores, visa abrir um corredor humanitário para que organizações possam entregar ajuda humanitária, disse Saif Abukeshak, ativista palestino e membro do comitê organizador da flotilha.
Israel, que controla todo o acesso à Faixa de Gaza, nega estar dificultando a entrada de suprimentos para seus mais de 2 milhões de habitantes. No entanto, palestinos e organizações internacionais de ajuda afirmam que os recursos que chegam ao território ainda são insuficientes, apesar de um cessar-fogo firmado em outubro que incluía garantias de aumento da ajuda.
“Todas essas pessoas estão abrindo mão de seu tempo para ajudar outros seres humanos, fazendo o que seus governos são legalmente obrigados a fazer”, afirmou Liam Cunningham, ator da série “Game of Thrones” que apoia a flotilha, mas não estará a bordo.
A Organização Mundial da Saúde informa que, mesmo durante conflitos armados, os Estados são obrigados pelo direito internacional humanitário a garantir que as pessoas possam acessar cuidados médicos com segurança.




