
Pela primeira vez, as Nações Unidas celebram a Semana de Consolidação da Paz num contexto de conflitos recordes não seguidos ao mesmo ritmo que a proteção da paz. Essa realidade é agravada por pressões climáticas e rápidas mudanças tecnológicas que pedem urgência no investimento na paz.
O período é marcado pelo tema “Consolidação da Paz da ONU @20 – Parcerias para Inovação, Inclusão e Impacto” e marca duas décadas da primeira sessão da Comissão de Consolidação da Paz, com a sigla PBC, e da criação do Fundo de Consolidação da Paz, FBC.
Por este esforço coletivo, entre 22 e 26 de junho a organização global incentiva à comunidade internacional países a fazer “um dos investimentos mais inteligentes” através do Fundo que apoia o prolongamento da paz, antes, durante e pós-conflito.
Desde 2006, mais de US$ 2 bilhões foram investidos em 75 países por meio de 24 entidades da ONU. Esses valores foram aplicados para influenciar uma transformação de realidades em países como Colômbia, Guatemala e República Centro-Africana.
De acordo com as Nações Unidas, esta semana procura “transformar as ambições dos Estados-membros em ações reais” com base nas resoluções de Revisão da Arquitetura de Consolidação da Paz.
Desde o início, os países de língua portuguesa se destacaram no grupo. Logo no começo, o Brasil foi eleito para liderar a estratégia de consolidação da Guiné-Bissau.Na Comissão, Brasil e Portugal atuam na mobilização de recursos para os países africanos de língua portuguesa.
O estado guineense tem acompanhamento especial da PBC em áreas como diálogo político, na consolidação da paz e nas estratégias de recuperação pós-conflito.
Já São Tomé e Príncipe mantém diálogo a nível de embaixadores para desenhar planos de mobilização de recursos, com foco na prevenção de conflitos e resiliência socioeconômica.
Moçambique tem sido parceiro para capacitação e consolidação da paz pós-acordo de Maputo, com foco no desenvolvimento de regiões afetadas por conflitos, como Cabo Delgado, no extremo norte.
Por fim, Timor-Leste tem engajamento com a PBC desde 2022 para buscar apoio às suas prioridades, mas amplificando as lições aprendidas e boas práticas de pacificação para o cenário global.
Eventos em todo o mundo destacam casos de sucesso e exploram como novas alianças podem abrir caminhos para uma paz duradoura, com apropriação nacional, liderança local e apoio internacional. As áreas incluem tecnologia digital, setor privado e organizações lideradas por jovens.
A semana será marcada por uma série de eventos da área apoiados pelo Escritório de Apoio à Consolidação da Paz marcando discussões que, na segunda-feira, iniciaram com uma Reunião Conjunta do Conselho Econômico e Social e da PBC.
Na terça-feira, terá lugar o “Círculo da Paz – Financiamento e Parcerias para a Consolidação da Paz Liderada por Jovens”. No dia seguinte, acontece a sessão “Inovação – Avançando o ODS16 através de parcerias inovadoras, finanças e tecnologia”.
Já na quinta-feira, a sessão em destaque será sobre “Consolidação e Sustentação da Paz” e, na sexta-feira, o encerramento das celebrações com a estreia do documentário “Destaque ao Impacto ao Consolidação da Paz”.
As Nações Unidas ressaltam que a consolidação da paz “não é um esforço passivo”, por isso exigem ação imediata de todos em momento em que conflitos globais se multiplicam, alertando que o custo da inércia é medido em vidas humanas.
Esse argumento observa que cada cidadão não seja apenas um espectador no momento crítico para se tornar um “parceiro ativo na construção do futuro”.
A semana que celebra os 20 anos da Comissão e do Fundo de Consolidação da Paz é apoiada por resoluções adotadas pela Assembleia Geral e do Conselho de Segurança em 2025, destacando que investir na paz é urgente e essencial.
Além da programação de eventos em Nova Iorque é ressaltada a realização de dezenas de eventos globais liderados por equipes locais que culminam com um apelo à ação que a paz não pode esperar nos eventos com participação pública.
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