O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, enviou uma carta ao papa Leão 14 na qual afirmou que qualquer tentativa de alterar o status quo da ilha por meio da força ou da coerção não pode levar a uma paz verdadeira. O conteúdo da mensagem foi divulgado pelo gabinete presidencial taiwanês nesta sexta-feira (30).
O Vaticano é um dos apenas 12 países que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, reivindicada pela China, e o único na Europa. Na outra ponta, a Santa Sé vem buscando melhorar suas relações com Pequim, inclusive por meio de acordos sobre a nomeação de bispos católicos.
Na carta, escrita em resposta à mensagem do papa para o Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro, Ching-te afirmou que democracia, paz e prosperidade representam “o caminho nacional de Taiwan e também sua ligação com o mundo”.
Sem mencionar diretamente a China, o presidente disse que, diante da coerção militar prolongada e da intimidação política promovidas por “Estados autoritários da região”, Taiwan tem optado por preservar a paz por meio de ações concretas.
“Acredito firmemente que qualquer tentativa de mudar o status quo de Taiwan por meio da força ou da coerção não pode trazer uma paz verdadeira”, escreveu.
As Forças Armadas da China operam diariamente nas proximidades de Taiwan no que o governo em Taipé descreve como uma campanha contínua de pressão e assédio. A China realizou seus mais recentes exercícios militares em torno da ilha no fim de dezembro.
A China se recusa a dialogar com Ching-te, por considerá-lo um perigoso “separatista”. O presidente de Taiwan afirma que apenas o povo da ilha pode decidir seu futuro.
Na carta ao papa, Ching-te também criticou o que chamou de tentativas de distorcer documentos da Segunda Guerra Mundial e a interpretação da resolução da ONU de 1971, que resultou na perda do assento da China por Taiwan nas Nações Unidas em favor de Pequim, com o objetivo de “rebaixar nosso status soberano”.
O governo chinês sustenta que documentos como a Declaração do Cairo, assim como a resolução da ONU, dão respaldo jurídico internacional às suas reivindicações de soberania sobre Taiwan. Taipé rebate, afirmando que a resolução não menciona a ilha e que a República Popular da China sequer existia ao final da Segunda Guerra Mundial.




