As FDS (Forças Democráticas Sírias), lideradas por curdos, anunciaram, no domingo (11), a evacuação de combatentes dos dois distritos onde estavam entrincheirados em Aleppo, no Norte da Síria, após dias de combates mortais contra as forças do governo.
“Chegamos a um acordo que levou ao cessar-fogo e permitiu a evacuação de mártires, feridos, civis presos e combatentes dos bairros de Ashrafieh e Sheikh Maqsud para o Norte e Leste da Síria”, disse o grupo em comunicado.
A agência oficial síria SANA confirmou que “os ônibus que transportavam o último grupo de membros da organização FDS abandonou o bairro de Sheikh Maqsud em Aleppo”.
O acordo foi alcançado “graças à mediação de partes internacionais para pôr fim aos ataques e violações cometidas contra nosso povo em Aleppo”, afirmaram as FDS, depois de denunciar deslocamentos forçados e sequestros de civis.
Horas antes, os Estados Unidos instaram, no sábado (10), o governo sírio e as forças curdas a retomarem o diálogo após os combates obrigarem dezenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas em Aleppo.
Mortos e deslocados
Os confrontos nesta cidade entre o governo central e os curdos, que controlam parte do nordeste do país, causaram pelo menos 21 civis mortos desde terça-feira (6), segundo fontes de ambos os lados.
Cerca de 155 mil pessoas foram deslocadas, em sua maioria, habitantes dos bairros curdos, segundo as autoridades.
Estes combates, os mais violentos em Aleppo desde a queda de Bashar al Assad em dezembro de 2024, eclodiram enquanto ambas as partes têm dificuldades para aplicar um acordo alcançado em março para integrar as instituições da administração autônoma curda e as FDS no novo Estado.
De Damasco, o emissário americano, Tom Barrack, apelou à “moderação” e exigiu o fim das hostilidades, após se reunir com o presidente sírio Ahmed al Sharaa.
A União Europeia lançou um apelo semelhante dirigido a “todas as partes” para que “retomem urgentemente o diálogo político”.
Após tomar o controle de Ashrafieh, o exército sírio anunciou o “fim de todas as operações militares em Sheikh Maqsud” e a transferência de combatentes desse bairro para o território autônomo curdo, mais a leste.
Um correspondente da AFP viu pelo menos quatro ônibus verdes com combatentes a bordo escoltados pelas forças de segurança.
Na sexta-feira (9), assim como nos dias anteriores, o exército permitiu aos civis utilizar dois “corredores humanitários” para sair dos bairros curdos.
Damasco havia convocado na sexta-feira as forças curdas a abandonarem a cidade, prometendo transferi-las de forma segura para as áreas controladas pelas FDS no nordeste do país.
Mas os combatentes entrincheirados em Sheikh Maqsud rejeitaram qualquer rendição.
As FDS, que foram a ponta de lança na luta contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico na Síria, contam com o apoio de Washington, que também apoia Ahmed al Sharaa.
Os combates fizeram temer uma escalada regional, pois a Turquia se disse disposta a intervir junto às forças sírias, enquanto Israel tomou partido pelos curdos.




