O governo da França anunciou nesta quarta-feira (21) que solicitou que um exercício da Otan seja realizado na Groenlândia e que está “disposta a contribuir com ele”. A declaração ocorre em meio a tensões sobre as tentativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar o território autônomo dinamarquês.
Desde que retornou à Casa Branca, o republicano vem ameaçando tomar a ilha ártica, rica em minerais e terras raras, por razões de segurança nacional, sob o argumento de que se não o fizer, Rússia e China o farão.
“A França está solicitando um exercício da Otan na Groenlândia e está preparada para contribuir com ele”, declarou o Palácio do Eliseu. Trump está a caminho do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde deve se reunir com líderes da União Europeia para discutir o assunto.
Em termos práticos, porém, o anúncio da França não é exatamente inédito. Desde a semana passada, quando Trump subiu o tom e disse que sua decisão de tomar a Groenlândia é final, diversos países enviaram soldados e equipamento militar à ilha: França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Holanda e Reino Unido se uniram à Dinamarca, que tem o maior efetivo, de cerca de 120 militares.
A missão tinha como objetivo a preparação para um exercício dinamarquês organizado com aliados da Otan, mas fora da estrutura da aliança atlântica e, portanto, sem o envolvimento dos EUA.
A França avalia que a medida permitiria demonstrar que os europeus levam a segurança do Ártico a sério. A ação parece ter desagradado Trump, que reagiu.
Na noite de segunda (19), o presidente americano atacou líderes europeus, reiterou o desejo de ter controle sobre a Groenlândia e divulgou mensagens trocadas com o presidente francês, Emmanuel Macron. Trump também ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos franceses caso a França se recuse a participar do Conselho da Paz.
Em Davos, na Suíça, Macron evitou citar Trump nominalmente, mas afirmou que, em vez de lidar com valentões, a Europa prefere o respeito. “Diante da brutalização do mundo, a França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz, porque ele serve aos nossos interesses e aos de todos que recusam se submeter ao domínio da força”, afirmou.
Em paralelo, As Forças Armadas dos EUA enviarão caças, provavelmente modelos avançados F-35, para a base que mantêm no norte da ilha ártica. A decisão foi anunciada pelo Norad (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, no acrônimo em inglês) na segunda-feira.




