Gaza busca ampliar produção agrícola com 6 meses de trégua – 09/04/2026 – Mundo

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Seis meses se passaram desde que o governo de Israel aprovou o acordo de cessar-fogo com o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza. A partir daquele 10 de outubro, ainda em meio a ataques, agências da ONU e órgãos locais iniciaram operações para recuperar a capacidade produtiva dos campos agrícolas do território, em busca de atenuar a fome generalizada.

Os dois anos de ataques constantes das forças israelenses deixaram o território palestino sob uma inédita destruição, com milhões deslocados e todos sob algum nível de insegurança alimentar. Mais de 95% da população chegou aos níveis crítico, emergencial e catastrófico de fome, segundo monitores internacionais.

Campos agrícolas na região de Khan Yunis

Vista aérea mostra terreno predominantemente seco e semiárido com pequenas áreas cultivadas e construções dispersas. Nuvens brancas e sombras cobrem parcialmente a paisagem. Estradas e caminhos são visíveis, conectando diferentes pontos da região.

Imagens de satélite mostram região em outubro, no período do cessar-fogo, e em março

12.out.25 e 6.mar.26/Planet Labs PBC

O território passou meses sob bloqueio total para entrada de alimentos e insumos humanitários. Em paralelo, incursões aéreas israelenses destruíram as infraestruturas e inviabilizaram o uso das terras cultiváveis.

Meses antes da trégua, ainda em junho, dados da agência de Alimentação e Agricultura da ONU (FAO), contabilizaram ao menos 83% das terras cultiváveis e das fontes de água para uso agrícola danificados e, com isso, menos de 5% das áreas próprias para cultivo estavam viáveis.

Dias depois do cessar-fogo, a FAO voltou a analisar a região. Com imagens de satélite, o órgão identificou que, com os limites impostos pela trégua, 36,8% das terras cultiváveis estariam acessíveis para os palestinos. Apenas 4%, no entanto, não haviam sido danificadas.

A partir desta mínima viabilidade encontrada, a agência promoveu operações de assistência financeira para agricultores nas regiões de Khan Yunis e Deir al-Balah. Nos seis meses que se passaram, os 200 produtores contemplados cultivaram 533 toneladas de vegetais frescos, segundo o escritório.

“Atualmente, vivemos em uma tenda e, por meio dessa assistência, conseguimos revitalizar a terra”, relata Wafaa Abedeen, uma agricultora de Khan Yunis, à FAO. “Tínhamos uma casa, mas ela foi destruída durante a guerra. Perdemos tudo o que tínhamos e fomos deslocados para Al-Mawasi [na costa sul do território]”.

Campos agrícolas na região de Khan Yunis

Vista aérea mostra terreno seco com poucas construções concentradas no canto superior esquerdo. Estradas de terra cruzam a área, que é predominantemente marrom e árida. Nuvens brancas aparecem no canto inferior direito.

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Imagens de satélite mostram região em outubro, no período do cessar-fogo, e em março

12.out.25 e 6.mar.26/Planet Labs PBC

Enquanto isso, o Ocha (Escritório da ONU para Assuntos Humanitários) mantém a produção e distribuição de refeições em toda Gaza. O órgão reforça, no entanto, que é primordial recuperar a capacidade agrícola dos palestinos.

“A recuperação da produção depende da entrada plena e irrestrita de insumos agrícolas por meio de canais comerciais e humanitários”, diz a agência, que denuncia contínuos bloqueios de entrada por parte de Israel.

A FAO anunciou, há duas semanas, a ampliação da assistência —que conta com financiamento do Fundo Humanitário para o Território Palestino Ocupado, do Ocha— para mais de mil agricultores. A agência estima “de forma conservadora, que eles poderão produzir vegetais suficientes para cerca de 5.000 toneladas métricas e alimentar quase 95 mil pessoas durante um ano”.

O órgão ainda reforça que, “caso seja permitida a entrada plena e irrestrita de insumos e equipamentos agrícolas”, o mesmo número de pessoas pode aumentar a produção para cerca de 12,8 mil toneladas e alimentar cerca de 8% da população do território no mesmo período.

“A agricultura é nossa fonte de sustento e, por meio desse apoio, conseguimos suprir as necessidades da minha família e consegui educar meus filhos e minha filha”, diz Wafaa Abedeen. “Após o deslocamento, a agricultura é a única coisa que nos restou e nosso meio de subsistência.”

Mesmo em meio à trégua, as forças de Israel seguem atacando periodicamente o território palestino. Ao menos 715 palestinos em Gaza morreram em bombardeios ou por tiros nos últimos seis meses. Desde início da guerra, as mortes acumuladas até o começo de abril passam de 72 mil, segundo o Ocha, com base em informações do Ministério da Saúde local.

As Forças Armadas israelenses afirmam que fazem operações pontuais desde o cessar-fogo mediante violações em série da trégua por soldados do Hamas, que segue operando em pouco menos da metade do território. A outra metade, um perímetro de norte a sul de Gaza, é ocupada militarmente por Israel.



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