A agência de notícias AFP afirmou nesta quarta-feira (28) que o grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, está pronto para transferir o comando da região ao Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG, em inglês).
“Os protocolos estão preparados, os arquivos estão completos e os comitês estão em vigor para supervisionar a transferência, garantindo uma transferência completa de governança na Faixa de Gaza em todos os setores para o comitê tecnocrático”, disse o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, à AFP.
As negociações para a saída do Hamas do controle do território palestino fazem parte do acordo de cessar-fogo negociado entre o grupo terrorista e Israel com o apoio dos Estados Unidos, em 2025. O NCAG é presidido por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, entidade que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada.
O conselho é formado por 15 palestinos nascidos em Gaza, mas ligados à Autoridade Palestina, e foi classificado como um colegiado “técnico”, com o objetivo de reconstruir a infraestrutura destruída pelos dois anos de bombardeamento por Israel. O órgão é subordinado ao Conselho da Paz encabeçado pelo presidente americano Donald Trump.
Nesta quarta, Qassem demandou que a passagem de Rafah, cidada no sul do território, entre Gaza e Egito “deve ser aberta em ambas as direções, com total liberdade de saída e entrada para a Faixa de Gaza, sem quaisquer obstáculos israelenses”.
Qassem disse no dia 12 de janeiro que o grupo já havia instruído todas as instituições de seu governo em Gaza a se prepararem para a transição de poder, segundo o Middle East Monitor. Ele afirmou ainda que a decisão de abrir mão do controle do território era definitiva.
Em uma carta aos funcionários do governo, vista pela agência de notícias Reuters, o Hamas instou seus mais de 40 mil servidores civis e pessoal de segurança a cooperar com o NCAG, mas garantiu que estava trabalhando para incorporá-los ao novo governo.
Nesta terça-feira (27) a Reuters afirmou que o grupo terrorista quer negociar para manter 10 mil homens atuando nas forças policiais montadas pelos Estados Unidos para comandar a segurança do território. A demanda deve encontrar resistência de Israel.
Além dos NCAG e do Conselho da Paz, o governo Trump também anunciou a criação de um Conselho Executivo de Gaza, que terá a função, ainda pouco clara, de “apoiar o governo” de Shaath para “promover a paz, estabilidade, segurança e prosperidade” do território. Fazem parte desse órgão nomes como o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, o general egípcio Hassan Rashad, o bilionário israelense Yakir Gabay, e diplomatas de Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bulgária e Holanda.
Os três colegiados fazem parte da segunda fase do plano de paz apresentado pelos Estados Unidos em setembro de 2025 e aceito pelo Hamas e pelo governo comandado por Binyamin Netanyahu em Israel. Ele prevê também o envio de uma força militar de estabilização ao território, composta por Exércitos de países árabes, e o desarmamento do Hamas, ponto mais delicado do tratado.
O Hamas segue dizendo que só entregará as armas quando a criação de um Estado palestino se concretizar. A terceira fase do plano de paz prevê o reconhecimento desse Estado —um desfecho que Netanyahu já disse que nunca permitirá.




