Gêmeos siameses morrem após cirurgia de separação em Goiânia

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Os gêmeos siameses que nasceram na terça-feira (6) no Hemu (Hospital Estadual da Mulher), em Goiânia, morreram após uma cirurgia de separação realizada em caráter de emergência. A morte do segundo bebê foi confirmada na madrugada desta quinta-feira (8) pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil, deputado federal por Goiás (União Brasil), responsável pelo procedimento.

Segundo Calil, um dos recém-nascidos apresentou sucessivas paradas cardiorrespiratórias e morreu antes da separação. Diante da gravidade do quadro, a equipe médica decidiu realizar imediatamente a cirurgia na tentativa de salvar o outro bebê. Apesar de o procedimento ter sido considerado tecnicamente bem-sucedido, o segundo gêmeo não resistiu.

“Realizamos uma cirurgia de emergência para a separação dos irmãos, na tentativa de salvar o segundo bebê. A cirurgia foi realizada com sucesso técnico, porém, apesar de todos os esforços da equipe médica e da neonatologia, o segundo recém-nascido também não resistiu”, afirmou Calil, em nota. Ele disse ainda se solidarizar com a família “neste momento de imensa dor”.

Os bebês Marcos e Matheus nasceram unidos pela região pélvica e eram classificados como isquiópagos, uma condição rara em que gêmeos compartilham estruturas anatômicas do quadril, o que exige cuidados intensivos desde o nascimento. Após o parto, eles foram encaminhados à UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal.

O parto, considerado de alta complexidade, foi realizado com 34 semanas de gestação e conduzido pelas obstetras Jéssica Alencar Rezende e Almiro Francisco Lopes. Segundo a equipe médica, a principal dificuldade nesses casos é a retirada dos bebês, o que exige uma incisão maior no útero e aumenta o risco de sangramento.

Nas primeiras 24 horas de vida, Marcos e Matheus passaram por cirurgias de colostomia e vesicostomia, procedimentos indicados para auxiliar o funcionamento dos sistemas digestivo e urinário. De acordo com o hospital, essas etapas faziam parte do plano terapêutico inicial e transcorreram sem intercorrências.

A mãe, Raylane Siqueira de Oliveira, 22, realizou todo o pré-natal no Hemu, sem registro de intercorrências durante a gestação. A família é do município de Canarana, no Mato Grosso, e percorreu cerca de 600 quilômetros até Goiânia para receber atendimento especializado. Após o parto, a paciente foi encaminhada para a enfermaria e passa bem, segundo o hospital.

O caso foi acompanhado por Zacharias Calil, referência nacional no atendimento a gêmeos siameses e responsável por dezenas de procedimentos desse tipo ao longo da carreira.

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