Os Estados Unidos abrigam a maior comunidade de iranianos vivendo no exterior. É uma população de 525 mil, a julgar pelo último censo, ou que passa de 1 milhão, sob estimativas que podem refletir o desejo comum a grupos imigrantes de parecer mais influentes num país.
Um resultado imediato da guerra, que ainda passa despercebido da maioria dos americanos, é o racha provocado pelos ataques de Israel e dos EUA entre iranianos naturalizados ou não. Como a diáspora iraniana, desde a Revolução Islâmica de 1979, não foi iniciada por motivos econômicos, mas por violenta perseguição política e religiosa, o rancor dividindo esses imigrantes acrescenta uma nova camada de trauma à vida no exílio.
Comparados a outros grupos, os iranianos-americanos têm educação formal e renda mais altas. Eles são vistos predominantemente como apoiadores de Donald Trump. A exemplo do que ocorre entre os cubanos que fugiram para Miami, eles tendem a apoiar o endurecimento de políticas anti-imigração. Mas o presidente da União de Democratas Iranianos-Americanos da Califórnia contesta esta imagem. Sudi Farokhnia disse à revista New Lines que seus compatriotas à direita simplesmente fazem mais barulho.
Não encontrei apurações recentes comprovando uma ou outra teoria, mas um fato não pode ser negado. A reação da comunidade ao aumento de prisões e deportações de iranianos tem sido notável pela timidez. Meses antes do início da guerra, Teerã e Washington –que não mantêm relações diplomáticas desde 1980– chegaram a um acordo de repatriamento de 400 detidos nas batidas do serviço americano de imigração no ano passado.
De fato, três voos aterrissaram em Teerã antes do ataque do último dia 28. Com os extremistas teocráticos iranianos ainda no poder, Farokhnia especula que os repatriados podem enfrentar prisões e execuções.
A antropóloga iraniana Narges Bajoghli, da Universidade Johns Hopkins, relata que a comunidade iraniana no exílio “está se fragmentando em tempo real em mesas de jantar, em conversas em grupo, no silêncio de números de celular bloqueados.” Ela lembra que os iranianos no exílio nunca foram um grupo monolítico. São monarquistas, esquerdistas, agnósticos ou muçulmanos devotos.
No momento, há sinais de que os monarquistas fazem mais barulho e tentam intimidar exilados que não apoiam o retorno do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do xá deposto pelos aiatolás. Pahlavi partiu para o exílio ainda adolescente, e Bajoghli o descreve como um balão de ensaio abastecido com combustível israelense e americano.
Embora haja monarquistas ferrenhos no Irã, é difícil imaginar que uma população estimada em 60% de habitantes com menos de 30 anos esteja sonhando com o retorno da dinastia instalada no poder graças ao golpe de Estado que teve apoio dos serviços de espionagem dos EUA e do Reino Unido, em 1953.
Los Angeles abriga a maior concentração iraniana dos EUA –84 mil – e registra a maior proporção de detenções de iranianos pelos agentes do ICE, a maioria sem antecedentes criminais. Seria coincidência que, na semana seguinte ao bombardeio às instalações nucleares do Irã, em junho passado, o ICE tenha apreendido 183 iranianos, enquanto só cinco foram presos na semana anterior? Se o objetivo era abafar a reação dos exilados, o sucesso é aparente.




