Hormuz continuará a nos assombrar após o fim da guerra – 16/03/2026 – Mundo

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O fechamento do estreito de Hormuz é um dos “problemas imprevistos” mais previstos da história. Por décadas, acadêmicos e especialistas em teoria dos jogos especularam sobre a possibilidade de que, em tempos de guerra, o Irã pudesse bloquear a estreita passagem marítima por onde transitam 20% das exportações mundiais de petróleo.

Donald Trump foi alertado sobre o perigo para o estreito enquanto os Estados Unidos e Israel se preparavam para atacar o Irã. Mas o presidente americano descartou essas preocupações, prevendo que a República Islâmica se renderia rapidamente.

Um conflito com o Irã que começou com objetivos de guerra vagos agora tem uma meta clara e primordial: reabrir o estreito de Hormuz. Irônica e irritantemente, a única razão pela qual o estreito está fechado é porque os EUA e Israel entraram em guerra.

Não está ao alcance de Trump reabrir essa passagem marítima vital declarando vitória e se retirando. Em vez disso, sua guerra com o Irã —e a questão específica do estreito de Hormuz— definirá o restante de sua Presidência e pode assombrar seus sucessores.

Isso porque o fechamento do estreito cria tanto uma crise imediata quanto um dilema estratégico de longo prazo. O problema atual é que, quanto mais tempo permanecer fechado, maior a ameaça de uma recessão global. O impasse futuro é que o Irã agora sabe que o controle do estreito de Hormuz lhe dá poder de estrangular a economia mundial. Mesmo que afrouxe seu domínio no curto prazo, pode apertá-lo novamente no futuro.

As dificuldades de reabrir o estreito já são muito evidentes. O Irã não precisa afundar ou impedir todos os petroleiros que tentam passar. A série de ataques já realizados —e a ameaça de novos— foi suficiente para convencer armadores, tripulações e seguradoras a se manterem afastados.

Bombardeios intensivos da infraestrutura militar iraniana —ou mesmo uma cogitada ocupação americana da ilha de Kharg, crucial para as próprias exportações de petróleo do Irã— não são uma solução direta para o problema de Hormuz. A República Islâmica tem muitas opções militares para ameaçar o tráfego pelo estreito, incluindo minas de profundidade, mísseis, botes infláveis equipados com minas magnéticas e drones.

O Irã tem expertise particular em guerra com drones. Seus drones Shahed foram cruciais na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Trump agora está pedindo aos aliados dos EUA que enviem suas marinhas para quebrar o estrangulamento iraniano sobre o estreito. Ele até apelou a Pequim. O Reino Unido, a União Europeia e a China têm um interesse real em reabrir o estreito de Hormuz. Mas compreensivelmente relutarão em colocar suas próprias forças em risco para resolver um problema que não criaram e que a Marinha americana não consegue resolver sozinha.

Um ano de tarifas, ameaças e insultos do governo Trump contra seus aliados europeus também esgotou a boa vontade em relação a Washington. Eles também sabem que qualquer Marinha operando no estreito de Hormuz estaria muito vulnerável a ataques iranianos —e poderia ter que manter a operação por muitos meses.

Os EUA também podem estar considerando o uso de forças terrestres para tentar assegurar as costas próximas ao estreito. Mas uma decisão de enviar tropas terrestres ao Irã inevitavelmente significaria mais baixas americanas e não garantiria nem mesmo o objetivo limitado de abrir o estreito.

Além da crise imediata, há o problema de longo prazo. Ao assassinar os líderes do Irã —e deixar claro que a mudança de regime é um objetivo da guerra— os EUA e Israel mudaram permanentemente a estrutura de incentivos no país.

Antes desta última guerra, o regime iraniano ainda tinha um motivo para evitar o confronto total com os EUA que seria a consequência inevitável do fechamento do estreito. Mas agora o pensamento do Irã mudou. Como Sir Simon Gass, ex-embaixador britânico em Teerã, me disse, o esforço de Trump para derrubar o governo iraniano “é o momento em que o regime conclui que esta é potencialmente uma luta de vida ou morte e que, portanto, precisa usar todas as ferramentas à sua disposição, e fechar o estreito de Hormuz é uma delas”.

Os moderados iranianos, que antes defendiam a diplomacia com o Ocidente em vez do confronto total, podem ter sido permanentemente enfraquecidos pelo fato de os EUA terem atacado enquanto as negociações ainda estavam em andamento. Mesmo que a República Islâmica decida, em algum momento, que tem interesse em reabrir o estreito de Hormuz, sempre vai querer manter a opção de fechá-lo novamente como uma ameaça visível para afastar agressores.

Os EUA e os vizinhos ricos do Golfo do Irã, que continuam enfrentando ataques diários de drones e mísseis, enfrentarão, portanto, um dilema de longo prazo. Devem tentar chegar a um acordo com o atual regime linha-dura iraniano, na esperança de persuadi-lo a nunca mais fechar o estreito? Ou devem pressionar ainda mais por uma mudança de regime no Irã, aceitando todos os perigos associados de um conflito militar prolongado e caos regional?

A República Islâmica está atualmente sofrendo um enorme desgaste econômico e militar. Mas tendo demonstrado ao mundo e a si mesmo que o fechamento do estreito de Hormuz é uma ameaça genuína e viável, o Irã descobriu um poderoso elemento dissuasório futuro que é totalmente independente de armas nucleares. Se o regime sobreviver a esta guerra, pode ainda emergir em uma posição internacionalmente mais forte.



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